Grupo de Cachoeira sabia de operação da PF, afirma juiz

O juiz substituto da 11.ª Vara da Justiça Federal em Goiânia, Paulo Augusto Moreira Lima, afirmou em depoimento ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, sabia das investigações da Polícia Federal um mês antes de a Operação Monte Carlo ser deflagrada, em 29 de fevereiro.

FELIPE RECONDO, Agência Estado

20 de junho de 2012 | 10h04

O magistrado pediu afastamento do caso alegando ser vítima de ameaças de morte, conforme revelou ontem o Estado. Ele disse no depoimento à Corregedoria do conselho que, após o vazamento dos dados sigilosos, a organização tentou neutralizar a ação dos órgãos investigadores e da Justiça.

Moreira Lima contou que o grupo teve notícia de qual o magistrado que cuidava do caso, do nome da operação e da lista de investigados, bem como de que haveria mandados de busca e prisão sendo analisados pela Justiça. Ainda de acordo com Moreira Lima, o grupo de Cachoeira também foi informado de detalhes de sua rotina e de que ele estava trabalhando quase que exclusivamente na elaboração de decisões contra o esquema ilegal de jogos de azar em Goiás.

Num diálogo, citado pelo magistrado no depoimento, Olímpio Queiroga, apontado como número dois da máfia dos caça-níqueis, fala com Cachoeira sobre as investigações e sugere uma retaliação: "Muita gente do nosso negócio tá. Nós temos que tomar alguma providência", alerta. "Temos que fazer a nossa parte, entendeu? Ir pra cima (de) todo mundo", acrescentou.

O CNJ foi chamado a interceder na Justiça Federal em Goiás em razão das suspeitas de que o telefone do juiz titular da 11.ª Vara, Leão Aparecido Alves, foi grampeado por ordem de Moreira Lima, que comandava, como substituto, o processo da Operação Monte Carlo.

Leão entrou com uma representação contra Moreira Lima na Corregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1). O CNJ, então, foi acionado par tentar resolver a contenda entre os juízes.

Segundo apuração do CNJ, o telefone Leão estava, de fato, no rol das escutas porque sua mulher, Maria do Carmo Alves, teria conversado com pessoas que estavam sob investigação no caso dos jogos ilegais em Goiás. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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