Grupo de Aécio vê jogada de Serra e defende prévias

Após ida de Alckmin para secretaria, o próprio governador mineiro diz, nos bastidores, que espera não ser ?atropelado? na escolha de nome para 2010

Julia Duailibi e Silvia Amorim e Ivana Moreira, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A bem-sucedida movimentação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que culminou na ida do tucano Geraldo Alckmin para o seu secretariado, causou reação imediata no PSDB mineiro. Aliados do governador de Minas, Aécio Neves, insistiram ontem na realização de prévias para a escolha do candidato tucano à Presidência em 2010. E, em conversas reservadas, o próprio governador mineiro comentou que espera não ser "atropelado" pelos paulistas no processo de escolha. "(O convite de Serra a Alckmin) foi uma movimentação importante para estabelecer a união tendo em vista 2010. Mas isso não significa que haja um vitorioso. Precisamos das prévias para fazer uma disputa leal, que oxigene o partido. Não vamos aceitar acordo de cúpula", disse o deputado Narcio Rodrigues, da tropa-de-choque de Aécio no Congresso, em referência às últimas eleições presidenciais, quando a definição dos candidatos ficou concentrada na cúpula paulista.Aécio almoçou ontem com o presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE), a quem manifestou a vontade de percorrer o País para trabalhar pela sua candidatura. Após o encontro, Guerra tentou minimizar o mal-estar no partido. "Não há confronto, 90% disso é fantasia", disse. "Temos convicção de que podemos ganhar a eleição com Aécio ou com Serra." Ele pregou a união partidária e completou: "Não tem PSDB forte sem Aécio Neves."A realização de prévias para a escolha do candidato tucano que disputará a Presidência é vista com ceticismo pela maior parte da cúpula do partido, que alega não ser da tradição do PSDB esse tipo de processo.Apesar do desconforto com o convite de Serra, parlamentares mineiros tentam tratar o assunto como um episódio paulista, sem reflexos na disputa nacional. "Acho bom que São Paulo tenha buscado a união. Aqui em Minas, nós já temos a união faz tempo", disse o secretário-geral do PSDB, Rodrigo de Castro. Segundo ele, até o final de fevereiro o partido terá um modelo de prévias para ser submetido à direção partidária.O presidente do PSDB mineiro, Custódio Mattos, defende que o partido chegue a um consenso sobre quem será o candidato tucano na disputa de 2010. "O próprio Serra, com a experiência que tem, sabe que a melhor maneira é que não haja desunião interna." E completou: "Havendo dois candidatos, ou mais, vamos ter que aprender a conviver com escolhas mais abertas, democráticas, como os Estados Unidos fizeram para escolher seus candidatos." Alckmin assumirá o cargo de secretário de Desenvolvimento na segunda-feira. O convite selou a união do PSDB em São Paulo e fortaleceu a candidatura de Serra ao Planalto em 2010. As fissuras no PSDB paulista chegaram ao ápice após a eleição municipal do ano passado, quando o governador José Serra apoiou a reeleição de Gilberto Kassab (DEM), que disputava a vaga com Alckmin. Desde então o ex-governador, que já era próximo de Aécio, ensaiava desembarque no projeto presidencial do mineiro. O que foi abortado com o convite de Serra. Alckmin conversou com Aécio por telefone no dia da sua nomeação. A manobra política de Serra soou como um sinal de alerta. Aliados de Aécio alimentam a tese de que, se entender que o jogo já está decidido pela cúpula paulista, ele poderá deixar o PSDB. O governador nega intenção de sair do partido.

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