Grupo de 300 sem-terra invade área por engano no RS

Um grupo de 300 trabalhadores rurais sem-terra invadiu hoje a Cabanha Santa Bárbara, em São Jerônimo, a 70 quilômetros de Porto Alegre. A ocupação teria sido motivada por um erro de informação da assessoria de imprensa do Palácio Piratini, que em nota distribuída na quinta-feira, citou a Cabanha como desapropriada para fins de reforma agrária quando, na realidade, deveria referir-se à Fazenda Santa Bárbara, uma área próxima entregue pela mesma proprietária, Carla Schneider, para pagamento de uma dívida com o Banrisul. Ao saberem da notícia, os sem-terra acampados em Arroio dos Ratos decidiram invadir a área para apressar o processo de assentamento. Mesmo tendo constatado o equívoco, resolveram permanecer nos galpões da cabanha, passando a exigir que a proprietária indicasse o local exato da gleba entregue ao Banrisul. Para o diretor jurídico da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Nestor Hein, há precipitações no caso, como a do governo ao anunciar a desapropriação de uma área do Banrisul, um banco estatal. A operação financeira prevê que a Secretaria Extraordinária da Reforma Agrária pague R$ 1,5 milhão ao Banrisul pela aquisição da área de 1.020 hectares na qual serão assentadas 60 famílias. Hein lembra que o acordo feito entre Carla Schneider e o banco ainda está em vigor. Se respeitada a cláusula de que a terra será entregue depois da colheita do arroz e do milho, o assentamento só deve iniciar quando os produtos forem retirados. "Uma ocupação agora, mesmo que da área que será do Banrisul, é ilegal", protestou. Os advogados da cabanha pediram reintegração de posse. Até o fechamento desta edição o Judiciário ainda não havia se manifestado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.