Grupo da CPI vai à Abin ouvir testemunha-chave da Satiagraha

CPI decidiu ir até a sede do órgão ouvir as explicações de Guimarães, depois de insistentes apelos da Abin

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 19h33

Um grupo de deputados da CPI dos Grampos  vai nesta quarta-feira, 3,  à sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ouvir o depoimento do agente do órgão José Ribamar Reis Guimarães. Considerado uma das testemunhas-chave da Satiagraha, Guimarães teria não só participado da operação da PF, como também sido apresentado ao delegado Protógenes Queiroz pelo diretor-afastado da Abin, Paulo Lacerda.   Veja Também:   As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha    A CPI decidiu ir até a sede do órgão ouvir as explicações de Guimarães, depois de insistentes apelos da Abin. A agência, informaram deputados da comissão, solicitou que o depoimento de seu agente fosse a portas-fechadas, argumentando que Guimarães participa de diversas operações, e que não poderia aparecer. "É uma boa oportunidade também de conhecermos mais de perto a Abin", disse  o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). O tucano é um dos autores do requerimento que pediu a convocação de Guimarães.   Além de ter sido apresentado a Protógenes por Lacerda, o que desmonta a versão de que a Abin não atuou formalmente na Satiagraha, Guimarães também teria sido o responsável por coordenar todos os agentes que participaram da operação da PF.   Na semana passada, Guimarães ingressou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que prestasse depoimento, na própria Câmara, em sessão secreta. A solicitação, no entanto, foi negada pelo ministro Celso de Mello.   Grampos   Nesta terça-feira, a CPI decidiu encaminhar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os dados sobre escutas telefônicas realizadas no País para que o órgão examine a discrepância entre os números obtidos pela comissão da Câmara e pelo CNJ. Segundo informações da CPI, repassadas pelas operadoras de telefonia, 375 mil interceptações foram realizadas em 2007. Já o CNJ divulgou recentemente que pouco menos de 12 mil telefones estão sendo monitorados atualmente.   Para o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), a divergência entre os números se dá em razão do método utilizado para o levantamento do número de interceptações telefônicas. "Nós demonstramos que os nossos dados se referem ao ano de 2007, que foram fornecidos pelas empresas de telefonia, diferentemente da informação que o conselho recebeu, que são os dados de 2008 apenas referentes a dois meses e não contém os dados tão completos como os fornecidos pelas empresas de telefonias, porque os dados que eles receberam são oriundos dos tribunais nos Estados", afirmou Itagiba.   Segundo o CNJ, existem hoje 11.846 telefones monitorados por escutas no país. Os dados são referentes ao ano de 2008. A CPI, por sua vez, havia divulgado a existência de 375 mil grampos telefônicos -mas Itagiba garantiu que o valor se refere exclusivamente ao ano de 2007, com dados repassados pelas operadoras.

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