Grupo criado por Jobim não está definido

Até hoje, só foram nomeados três membros da equipe que buscará corpos

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Criado há quase dois meses pelo Ministério da Defesa, o grupo responsável por retomar as buscas de corpos de guerrilheiros na região do Araguaia ainda não começou a trabalhar. Nem sequer os integrantes da comissão foram definidos. A portaria assinada pelo ministro Nelson Jobim estabelecia que os membros do grupo seriam indicados até o dia 14 de maio.Até o momento, somente três integrantes foram nomeados, conforme o Ministério da Defesa: o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antônio Herman Benjamin e o ex-deputado Aldo Arantes (PC do B-GO).Outros nomes, como de peritos da Polícia Federal nas áreas de medicina legal e odontologia forense, já foram escolhidos por Jobim, mas as nomeações não saíram até agora por causa de problemas burocráticos, de acordo com o ministério. Enquanto o grupo não estiver composto, a primeira etapa dos trabalhos de investigação será o reconhecimento das áreas onde as buscas serão feitas.Parentes das vítimas e representantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foram convidados pelo ministro, mas participariam das buscas apenas como observadores. "O ministro convidou os familiares e a comissão como observadores ativos. E os familiares ficaram indignados com isso", afirmou o presidente da comissão, Marco Antônio Rodrigues Barbosa.LULAAnteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu da comissão um pedido para que o grupo de trabalho não seja presidido exclusivamente pelo comandante do Exército, general Enzo Peri. No texto, Barbosa disse que a coordenação deve ser dividida com a comissão.Além disso, Barbosa reclamou que o grupo criado pelo ministro da Defesa invade as funções da comissão definidas pela Lei 9.150/95. Segundo ele, que assinou nota na qual acusa o Ministério da Defesa de "atropelar" a legislação, Lula se mostrou receptivo e ficou de analisar os argumentos.MINISTÉRIO PÚBLICOEm maio, seis procuradores da República encaminharam ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, um pedido na mesma linha. Eles querem que as investigações no Araguaia sejam coordenadas por autoridades civis vinculadas à promoção de direitos humanos e acompanhadas por familiares das vítimas. "Em que pese o amplo respeito que as Forças Armadas merecem em nosso país, parece-nos não ser recomendável que a colheita de elementos sobre violações aos direitos humanos praticadas no passado com envolvimento dessa instituição seja por ela própria realizada, sem a coordenação em conjunto com autoridades civis", afirmaram os procuradores, no ofício. O pedido está sendo analisado pelo procurador-geral.

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