Grupo contra ''''Cansei'''' não sabe viver na democracia, diz D?Urso

Presidente da OAB-SP, um dos fundadores do movimento, reage a ataques do PT e governo

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

As fortes acusações de petistas e do governo contra o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o Cansei, provocaram ontem a reação dos organizadores da campanha. "São vozes isoladas que não sabem conviver com adversidades e a democracia, que, por má-fé ou desinformação, tentam desqualificar um movimento apartidário e apolítico", declarou Luiz Flávio D?Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-São Paulo, um dos responsáveis pela iniciativa. "Não é golpismo, não é Marcha da Família, isso é uma grande bobagem", garantiu o advogado, respondendo a adversários que, além de golpismo, definiram o Cansei como uma forma de oposição mascarada, oportunismo da direita, conspiração da elite branca de Campos do Jordão, OAB tucana, Marcha da Família de 64, entre outros rótulos. D?Urso desdenhou do bloco que tenta desqualificar o movimento. "Essas rejeições e oposições não representam parcela significativa. A OAB não vai recuar um único milímetro." O presidente da OAB paulista disse, a propósito, que vai pedir audiência ao presidente da República. "Quero dizer a ele que não pretendemos desestabilizar as instituições. Vamos levar sugestões para superar as dificuldades que o País atravessa."O Cansei, lançado alguns dias depois da tragédia com o Airbus A-320 da TAM, abriga entidades influentes como a Febraban, a Fiesp, a Associação Comercial de São Paulo e a Associação Brasileira de Rádios e TV. Tão logo foi deflagrado tornou-se alvo de uma ofensiva de governistas e petistas que colocaram sob suspeita o movimento e seus propósitos. "Cansei da OAB tucana. Tenho saudades de quando a OAB defendia a democracia no Brasil", disse o deputado Dr. Rosinha (PT-PR).O deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente nacional do PT, ironizou o Cansei: "Temos que ter tranqüilidade para não aceitar esse tipo de provocação e nem alavancar esse tipo de movimento cujo patrono deve ser o Haddock Lobo ou o Oscar Freire." Para o presidente do PT, trata-se de "um movimento daqueles que foram derrotados na eleição e querem retomar a esperança de manter o País em clima de eleição. Existe uma tentativa de setores da sociedade, e também da imprensa, de fazer ligação entre um acidente aéreo com uma crise aérea que tem outras razões e outras origens." O objetivo da campanha, diz ainda Berzoini, é "tentar focar na figura do presidente da República".?CANSAMOS?A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou o Cansamos, para fazer frente ao Cansei. "Parece até deboche, mas essa mesma elite não se cansa do assédio moral aos trabalhadores, praticado por banqueiros e empresários, nem das altas taxas de juros e tarifas aplicadas nas operações financeiras", destaca Edilson de Paula, presidente da Central em São Paulo. "Não se indignam com os baixos reajustes salariais. Não se revoltam com as mortes nos locais de trabalho.""Quando marchamos pelo impeachment do Collor em 92 fomos tachados de golpistas", retruca Luiz D?Urso. "Quando fizemos a marcha contra a corrupção e pela ética na política sofremos resistência." "É um protesto que apenas coloca em evidência o inconformismo e a tristeza que dominam a sociedade diante da inércia da administração", define Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo. "Não é oposição mascarada, é campanha para acordar a Nação."Ronaldo Koloszuk, presidente do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp, foi categórico: "Queremos democracia participativa, o movimento não tem nenhum cacoete de golpe. Se tivesse qualquer resquício de golpe, eu jamais estaria engajado."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.