Grupo cerca consulado na Guiana Francesa

Madeireiros e políticos da Guiana Francesa aderiram ao cerco que pescadores locais estão promovendo contra o consulado brasileiro em Caiena. Bloqueando as ruas próximas ao consulado desde o final da semana passada, eles afirmam que barcos e empresas brasileiras têm "violado a soberania" do território e levado embora recursos naturais da região.

JAMIL CHADE , COM A COLABORAÇÃO DE LISANDRA PARAGUASSU, Agência Estado

05 de fevereiro de 2013 | 08h09

Na sexta-feira (01), pescadores colocaram caminhões ao redor do consulado para protestar contra a pesca brasileira em águas da Guiana. No fim de semana, o Sindicato dos Garimpeiros aderiu ao protesto, alegando que seus filiados sofrem com a imigração irregular de brasileiros que garimpam ouro na região.

Na segunda-feira (05), foi a vez dos madeireiros. "Esse é um fenômeno que não atinge apenas uma classe de trabalhadores", disse ao Estado a diretora do Sindicato de Pescadores da Guiana, Patricia Triplet. "A imigração de trabalhadores brasileiros está afetando a todos. Não é um protesto contra o Brasil. O que queremos é que o governo francês entenda que estamos sofrendo por conta dessa exploração ilegal", afirmou.

Segundo a sindicalista, uma reunião realizada na segunda-feira (05) numa barraca montada na rua do consulado estabeleceu que o cerco será mantido "até que alguém nos escute". Patricia conta que, apesar de o protesto entrar pelo seu quinto dia, o governo brasileiro ainda não enviou um representante para dialogar com os manifestantes.

Garantias

O governo brasileiro pediu ontem à chancelaria francesa e ao governo da Guiana Francesa a garantia de segurança no Consulado-Geral em Caiena. Segundo o Itamaraty, foram dadas garantias aos funcionários. Os protestos, no entanto, devem continuar. A informação é que a polícia não vai dispersar os manifestantes. Segundo o Itamaraty, já existe uma comissão binacional debatendo as normas de pesca na região. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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