Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Grupo articula lista para destituir atual líder do PMDB na Câmara

Peemedebistas insatisfeitos reclamam que Baleia Rossi não está conseguindo negociar cargos estratégicos para deputados no governo federal e na Câmara

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2017 | 11h14

BRASÍLIA – Um grupo de deputados do PMDB articula nos bastidores uma lista de assinaturas para tentar destituir o atual líder do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP). Os peemedebistas insatisfeitos reclamam da condução do parlamentar paulista nas negociações de espaços da bancada na Casa e no governo federal. Há ainda insatisfação decorrente da atuação de Rossi na última eleição para a Mesa Diretora, em fevereiro deste ano.

Segundo três deputados do PMDB ouvidos pelo Broadcast Político, a lista ainda está sendo “fermentada”. Para conseguir destituir Rossi, os insatisfeitos precisam do apoio da maioria da bancada, ou seja, de pelo menos 33 dos 65 deputados da sigla. Para tentar chegar a esse número, o grupo busca assinaturas de peemedebistas do Rio de Janeiro, que têm a maior bancada dentro do partido, com 11 deputados, mas que resistem a apoiar a destituição. 

Peemedebistas insatisfeitos reclamam que Baleia não está conseguindo negociar cargos estratégicos para deputados no governo federal e na Câmara. A reclamação é de que a bancada está fora dos cargos estratégicos, como a Secretaria de Governo, que está atualmente com o deputado licenciado Antonio Imbassahy (PSDB), e a liderança do governo na Casa, hoje com André Moura (SE), do nanico PSC.

Nesse cenário, peeemedebistas querem indicar um deputado do partido como ministro da Justiça na vaga de Alexandre de Moraes, que foi indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Os nomes oferecidos são os dos deputados Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Querem ainda secretarias com capilaridade política em Pastas importantes, como Cidades e Saúde.

A insatisfação com Rossi vem ainda da eleição para Mesa Diretora. O líder do PMDB bancou Lúcio Vieira Lima (BA) como candidato oficial da bancada para 1ª vice-presidência da Câmara, preterindo José Priante (PR), que abriu mão da disputa. No fim da votação, o peemedebista baiano acabou derrotado. O vencedor foi o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que lançou candidatura avulsa ao posto.

Minoritário. Interlocutores de Rossi minimizaram a articulação de alguns parlamentares do PMDB para destituí-lo da liderança do partido. Aliados do líder, que é um dos deputados mais próximos do presidente Michel Temer (PMDB), dizem que é um movimento “minoritário” de um grupo fisiológico da bancada. “São as viúvas do (deputado cassado) Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”, disse um aliado.

Essa não é a primeira vez que a bancada do PMDB articula destituição de líderes por meio de listas. No final de 2015, peemedebistas favoráveis ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff recorreram a esse instrumento para destituir o então líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ), atual ministro do Esportes. Dias depois, porém, Picciani conseguiu voltar ao posto, também por meio de lista.

 

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