Grupo anticorrupção cobra mobilização da sociedade

Homenageados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que lançou hoje manifesto pela ética na política, senadores integrantes da frente suprapartidária de combate à corrupção cobraram mobilização, especialmente de estudantes e trabalhadores, em favor das medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff. Os empresários fluminenses também pediram mais engajamento. Atos públicos contra a corrupção acontecerão amanhã em todo o País.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

06 Setembro 2011 | 19h05

"A gente não vê uma declaração da UNE, da CUT, da Força Sindical. As instituições da sociedade civil que lutaram pelas Diretas e tantas coisas da redemocratização parecem alienadas. Vemos engajamento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Já é alguma coisa. Os partidos também não dizem ''esta (a luta contra a corrupção) é uma das nossas causas''. Nós estamos aqui em caráter individual", disse Cristovam Buarque (PDT-DF).

Os dez senadores da frente anticorrupção estiveram no Rio para o lançamento do Manifesto do Empresariado Brasileiro em Favor de Ética na Política, que anunciou "apoio incondicional às medidas de combate à corrupção levadas a cabo pela presidente Dilma Rousseff". "É necessário que toda a sociedade civil se posicione, incluídas as principais entidades representativas dos trabalhadores", diz o texto. Outro trecho rejeita o "falso dilema entre ética e governabilidade": "Não é possível ser ético pela metade. Não há meia democracia."

No discurso feito em nome dos parlamentares, a senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que, quando a frente suprapartidária começou a se formar, em julho passado, "a presidenta Dilma parecia refém de um processo nada adequado à vida nacional", mas manteve a decisão de "afastar as pessoas que estavam corroendo a estabilidade institucional e política de seu governo".

O senador Pedro Taques (PDT-MT) também citou a falta de mobilização de algumas instituições. "A UNE, a CUT não estão debatendo a corrupção. É importante debatermos crise internacional, programas governamentais, um novo financiamento para a saúde. Mas não adianta debatermos só isso, porque o dinheiro vai ser roubado", afirmou Taques, autor de projeto que inclui a corrupção no rol de crimes hediondos.

Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) reconheceu que a central não discutiu medidas de apoio às ações anticorrupção. "Acho que é uma causa importante, mas não conversamos sobre isso na Força Sindical. Estamos muito preocupados com questões trabalhistas que ainda não aconteceram no governo Dilma. Além disso, acho que essa discussão deu uma diminuída. Depois das enrascadas em que a presidente Dilma entrou, não sei se ela vai manter este embate tão violento", disse Paulinho.

A assessoria de imprensa da UNE informou que a divulgará amanhã uma Carta dos Estudantes Brasileiros em que abordará vários temas de interesse do País.

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