Grito 'Fora Sarney' ficou restrito a sindicatos e partidos em PE

Na 15ª edição do Grito dos Excluídos, protestos contra presidente do Senado vieram do PSOL, PSTU e Conlutas

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2009 | 16h27

O pedido de "Fora Sarney" e "Pelo fim do Senado" foi abarcado apenas pela central sindical Conlutas e pelos partidos políticos PSTU e PSOL na décima quinta edição do Grito dos Excluídos nesta segunda-feira, 7, no Recife. Quando o grupo chegou, com faixas vermelhas e folhetos, o protesto já havia iniciado a caminhada de cerca de dois quilômetros da Praça Osvaldo Cruz, no bairro da Boa Vista, até à Igreja do Carmo, no bairro de Santo Antônio, área central da capital.

 

Eles se posicionaram no final da passeata que teve início com mil pessoas e terminou com o dobro de participantes - dois mil - de acordo com a Polícia Militar. "Esta é a parte mais independente, mais à esquerda dentro do Grito", afirmou, bem humorado o presidente estadual do PSOL, Edílson Silva, numa alusão aos partidos e movimentos de trabalhadores que seguiam à frente e que, na sua avaliação, estavam enquadrados com o governo federal.

 

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que levou uma pequena representação, Jaime Amorim, disse que o movimento não assumiu o mote do Fora Sarney "porque não quis estreitar o debate, que é muito maior". "Contestamos a comemoração oficial do Sete de Setembro porque o País ainda não conquistou a sua independência, sua soberania".

 

A Central Única dos Trabalhadores e sindicatos de médicos preferiram pregar "O pré-sal é nosso". "Queremos que os recursos que venham a ser gerados pelo pré-sal sejam revertidos para resgatar a dívida social do País", afirmou um dos dirigentes estaduais da CUT, Manoel Henrique da Silva Filho.

 

Pela primeira vez o Grito contou com a presença do arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido - que assumiu recentemente o cargo depois da renúncia, por idade, do conservador Dom José Cardoso Sobrinho. Ele defendeu a unidade da força do povo como forma de se fazer mudanças, a exemplo da moralização da política.

 

Um boneco gigante de Dom Hélder Câmara, cujo centenário de nascimento é comemorado neste ano, acompanhou todo o trajeto, ao lado de manifestantes com narizes de palhaço, associações de moradores, grupos de mulheres e também um sósia do presidente Lula, José Bezerra Filho, 50 anos, integrante de um grupo de teatro de rua do bairro de Boa Viagem, zona sul da cidade. Vestido de terno e com a faixa presidencial, ele disse sobre o senador José Sarney, em clima de brincadeira: "O companheiro Sarney foi um grande presidente, todos concordaram em abafar o caso (dos atos secretos) e eu tenho que apoiá-lo".

 

Ao lado do ator fantasiado de Lula, seu grupo, caracterizado de retirante da seca e de cangaceiro, carregava uma faixa dizendo "Esse é o cara do Nordeste", em alusão ao comentário do presidente norte-americano Barack Obama, que disse de Lula "esse é o cara". "Lula é o povo no poder", resumiu Flávio Marques, 54 anos, ao afirmar que o grupo de teatro não estava ali para criticar o presidente.

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