Grito dos Excluídos reúne mil pessoas em Aparecida

Ato vazio não desanima Igreja, que aposta nas redes sociais para aumentar manifestações

Gerson Monteiro, especial para o Estado

07 de setembro de 2012 | 13h46

O Grito dos Excluídos, movimento que aconteceu simultaneamente em todo o País neste dia 7 de setembro, reuniu aproximadamente mil pessoas no pátio do Santuário Nacional, em Aparecida, a 181 km de São Paulo. Com o tema "Queremos um Estado a serviço da nação, que garanta direitos a toda população", a 18ª edição do evento não teve tanta adesão do público, que, segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), se deve a movimentos descentralizados em todo o Brasil.

A fraca participação do público no ato em Aparecida não desanimou a Igreja. "No ponto de vista da compreensão social dos acontecimentos, hoje se olha muito mais o detalhe, o que acontece na base e menos o que acontece a nível nacional e global", argumenta o Bispo Dom Francisco Biasin, representante da entidade no ato. Para ele, embora haja uma ausência de público, o movimento continua sendo ecoado pelo País. "Nosso maior desafio é ter esse grito na garganta dos jovens", disse.

A Igreja Católica aposta na força das redes sociais para mobilizar os jovens e reverter a situação para as próximas edições do evento. Para Dom Biasin, a organização dos jovens hoje em dia é muito maior. "Vejo que muitos jovens participam de debates políticos, com analistas sociais e candidatos. Há 10 anos eles não estavam tão presentes como agora.Certamente o clima não é um dos mais favoráveis, mas há sinais promissores de despertar no debate sobre a política nas novas gerações. Eles manifestaram uma insatisfação aos modelos existentes", defende o líder católico.

Participantes da 25ª Romaria dos Trabalhadores também se juntaram aos militantes do Grito dos Excluídos. Gerson Manoel dos Santos, pintor e coordenador paroquiano em Mauá (SP), disse que antigamente era mais fácil arrebanhar pessoas para a peregrinação, de cinco dias de São Paulo a Aparecida, e manifestação no pátio do Santuário.

Para o coordenador da romaria de Mauá, falta participação política dos brasileiros. "Se o eleitor tiver mais consciência da importância do seu voto e cobrar mais dos eleitos, teremos um país com mais igualdade".

"Continuamos lutando para que não esvazie, mas nesse ano só conseguimos vir em onze pessoas", comenta Santos ao dizer que a cada ano diminui o número de pessoas dispostas a participar das manifestações na cidade. Já para a balconista Antonia dos Santos o descrédito com os atuais políticos provocou a ausência do público. "Também falta fé nas pessoas", critica.

Feriado. De acordo com o Santuário Nacional, durante todo o feriado são esperadas 300 mil pessoas. No sábado, 8, a igreja comemora 61 anos da Rádio Aparecida e 7 anos da TV Aparecida, com missa às 9h presidida pelo Cardeal Arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis. Somente no domingo, cerca de 160 mil pessoas deverão passar pela cidade.

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