Grito dos Excluídos quer se fortalecer com protestos

O Grito dos Excluídos, promovido há 19 anos pelos movimentos sociais ligados à Igreja Católica, espera ganhar mais força no dia 7 de setembro com a adesão de manifestantes que, desde junho, protestam nas ruas contra a injustiça, a violência e a corrupção. A mobilização atingirá mais de mil cidades durante toda a semana e culminará, no Dia da Pátria, com uma romaria no Santuário de Aparecida. Em São Paulo, haverá missa na Catedral, seguida de caminhada da Praça da Sé até o Monumento do Ipiranga.

JOSÉ MARIA MAYRINK, Agência Estado

30 de agosto de 2013 | 18h57

"Esperamos que nenhum grupo se aproveite das manifestações para fazer baderna, porque o Grito dos Excluídos tem objetivos claros e nunca registrou violência", disse Luciene Andreoli, da coordenação nacional do movimento, ontem à tarde, em entrevista coletiva, na sede regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na Capital. O bispo de Mogi das Cruzes, d. Pedro Luiz Stringhini, da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, observou que ninguém vai esconder o rosto, porque os participantes do Grito se identificam com bandeiras e camisetas.

D. Pedro Luiz lembrou o exemplo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que reuniu mais de 3 milhões de pessoas em torno do papa Francisco no Rio e transcorreu sem violência, um mês após o início das manifestações populares de junho. O Grito dos Excluídos, cujo lema é "Juventude que ousa lutar constrói projeto popular", dá continuidade Campanha da Fraternidade de 2013 - Fraternidade e Juventude, promovida pela CNBB.

A programação da Romaria de Aparecida é de responsabilidade da Pastoral Operária, com apoio do Serviço Pastoral do Migrante, sob a coordenação de Eduardo Paludette. Segundo ele, o Grito dos Excluídos sempre se preocupou em não ser alvo de aproveitamento políticos ou ideológico. "Dia 7 vai ser um marco mais forte este ano e o governo terá de acordar para nossas reivindicações", disse o representante do Movimento de Moradores de Rua, Anderson Miranda, ao anunciar novos protestos, ocupações e acampamentos contra despejos de famílias sem teto.

Luciene Andreoli, que é também da coordenação do Movimento de Atingidos por Barragens, anunciou uma concentração de vítimas de despejo em regiões alagadas na Avenida Paulista, dia 5, numa manifestação de repúdio ao modelo energético do País e contra os custos das tarifas de luz, água e gás. "Os pobres pagam contas altas, enquanto empresas têm benefícios", argumenta.

Com enfoque na juventude, o Grito dos Excluídos denunciará a situação dos jovens encarcerados e assassinados no Brasil. "Os jovens são vitímas de violência e não causa de violência", disse Marcelo Naves, da Pastoral Carcerária. Quando ele se referiu à violência nas prisões, a freira italiana Maria Alberta, 92 anos, que visita semanalmente uma penitenciária na Capital, cobrou ação mais efetiva nas paróquias para dar assistência aos jovens presos. "Eles passam o dia inteiro sem o que fazer, com mais de 40 amontoados em celas onde só caberiam uns dez", informou. D. Pedro Luiz bateu no peito e reconheceu que a Igreja não tem feito o bastante nesse aspecto.

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