Grito dos Excluídos protesta contra privatização da Vale

Por todo País, marcha deste ano deste ano critica governo Lula por 'esquecer população brasileira'

José Maria Mayrink e Eduardo Kattah, do Estadão

07 Setembro 2007 | 10h56

Por todo o País, a Marcha do Grito dos Excluídos promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promoveu nesta sexta-feira, 7, uma manifestação central contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em 1997.   Em São Paulo, cerca de 1.200 pessoas participaram da marcha. A Policia Militar havia calculado 3.500 participantes, mas ao longo do trajeto, as pessoas acabaram se dispersando.   A manifestação começou com uma missa na Catedral da Sé às 7 horas, celebrada por D. Pedro Luiz Stringhini, bispo auxiliar de São Paulo, e presidente da Comissão Pastoral do Serviço, da Caridade da Justiça e da Paz da CNBB.   Após a missa, D. Pedro Luiz disse que o tema deste ano, contra a privatização da Vale do Rio Doce, tem o sentido simbólico, porque "é muito difícil reverter a privatização". No entanto, dezenas de faixas e cartazes pedem a reestatização da empresa. O argumento é que a Vale foi vendida por um preço irrisório, na época de R$ 3 bilhões, sem consulta ao povo.   A marcha saiu da Praça da Sé e seguiu pela região central da cidade em direção ao parque da Independência, no Ipiranga, onde houve uma manifestação de encerramento às 13 horas com discursos de quatro entidades que participam do evento: Movimento dos sem-terra (MST), Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Movimento Negro Educafro e comunidades de base.     A tônica dos discursos foi o plebiscito contra a privatização da Vale do Rio Doce, mas os movimentos ampliaram o debate com protesto e oposição a tarifas elétricas, apoio à reforma da presidência, e contra dívida externa e interna.     Predominaram na caminhada bandeiras do MST, do Movimento Negro, das Pastorais Sociais e de alguns partidos políticos, como PSOL, PSTU e o PC do B. Não há bandeiras do PT. O grupo segue cantando "Para não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, músicas de movimentos populares e o hino nacional.   Durante o protesto, mulheres carregando placas organizaram a Marcha Mundial das Mulheres, pela legalização do aborto.Em algumas faixas, estavam os dizeres: "Nem papa, nem juízes, as mulheres decidem".As manifestantes lembraram ainda que em 54 países o aborto não é considerado crime.   Críticas a políticos também marcaram o evento.As mulheres atacaram a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , que, segundo elas, estaria apoiando a política internacional e esquecendo da população brasileira.Elas disseram ainda que estão sendo "vigiadas pelo governo de José Serra, a quem chamam de "fascista".       Excluídos em Minas   Militantes de movimentos sociais, liderados pela Igreja Católica, participaram nesta manhã do 13º Grito dos Excluídos em Belo Horizonte.   Com o lema "Isto não Vale! Queremos participação no destino da Nação", os manifestantes recolheram assinaturas pela reestatização da mineradora e urnas foram disponibilizadas para a consulta popular. Líderes do movimento cobraram apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à campanha.   Para o representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Minas, Frei Gilvander, o presidente já demonstrou que é contra a reestatização da Vale. "É triste, porque é uma posição sob encomenda, para agradar a ideologia do mercado", disse. "O Lula tem que parar de trair os pobres".   Para o secretário de imprensa da Central Única dos Trabalhadores em Minas Gerais (CUT-MG), Shakespeare Martins, o plebiscito teria muito mais força se tivesse apoio do governo. "Teria de ser de cima para baixo. A gente sabe que não vai acontecer isso, mas é importante mostrar que não somos favoráveis a mais nenhuma privatização no País".   Embora o PT tenha dado apoio institucional ao plebiscito para anular a venda da Vale durante o seu 3º Congresso Nacional, representantes do partido praticamente ignoraram o Grito dos Excluídos na capital mineira. Entre os manifestantes, predominavam as bandeiras vermelhas do PSTU e da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).   Cerca de duas mil pessoas, conforme a Arquidiocese de Belo Horizonte, participaram do protesto. A Polícia Militar calculou que mil militantes foram às ruas. Os manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade, na região centro-sul, por volta das 8h. Após a concentração, caminharam até a Praça da Liberdade, no centro da capital.   Em Curitiba   No Paraná, a principal manifestação do 13º Grito dos Excluídos está concentrada na periferia de Curitiba. Cerca de 700 manifestantes saíram às 9 horas do Parque Metropolitano em passeata até a reserva indígena do Cambuí , passando por áreas de ocupação nas margens do Rio Iguaçu, como a região de Icaraí e Vila Audi.   Segundo o representante da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Waldemar Simão Júnior, neste ano a organização do movimento decidiu por atividades diferentes dos últimos dois anos. "   Em vez de disputar a atenção do público no Centro Cívico, onde está sendo realizado o desfile militar de 7 de Setembro, os manifestantes decidiram ir até os marginalizados. Vamos mostrar aos moradores de periferia situações concretas das dificuldades que enfrentam os excluídos. Não pode haver independência enquanto houver no país tantos marginalizados".   De acordo com o sindicalista, somente na área onde está nesta sextao Grito dos Excluídos, vivem cerca de 2 mil moradores. "Se conseguirmos a anulação da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, os lucros podem ser aplicados em políticas públicas".     (Com Agência Brasil)   Texto atualizado às 13h50

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