Grito dos Excluídos pede punição a Yeda Crusius

Manifestação de 1,5 mil pessoas queimou boneco da governadora e pediu maiores investimentos sociais

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2009 | 18h28

O Grito dos Excluídos deste ano pediu mais verbas para os programas sociais, o afastamento da governadora Yeda Crusius (PSDB) e a apuração de casos de corrupção no Rio Grande do Sul, com punição aos culpados, nesta sexta-feira, nas ruas centrais de Porto Alegre.

 

Segundo cálculo da Brigada Militar e dos organizadores, cerca de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação, antecipada em três dias para não coincidir com o feriadão de 7 de setembro.

 

O primeiro ato foi uma concentração diante do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Depois, os participantes do protesto percorreram algumas ruas centrais da cidade, seguindo até a Esquina Democrática, da Rua dos Andradas com Avenida Borges de Medeiros. No local, enquanto lideranças discursavam no caminhão de som, um grupo queimou um boneco da governadora Yeda Crusius.

 

Durante as manifestações, os oradores criticaram a concentração de riquezas, a concessão de benefícios fiscais para grandes empresas, a corrupção e a impunidade para crimes contra trabalhadores e pediram mais investimentos públicos em educação, saúde, habitação popular e programas de geração de renda.

 

No Rio Grande do Sul, os lemas do Grito dos Excluídos foram "Vida em primeiro lugar. A força da transformação está na organização popular" e "A corrupção gera exclusão". Muitos dos manifestantes portaram adesivos com as palavras "Fora, Yeda" e gritaram palavras de ordem pedindo o impeachment da governadora, que é ré de uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal e enfrenta uma CPI instalada na Assembleia Legislativa para investigar se agentes públicos praticaram atos de corrupção em suas funções.

 

"A corrupção é impeditivo para a boa qualidade de vida por desviar recursos públicos", afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, Celso Woyciechowski. Falando pela Via Campesina, Cedenir Oliveira disse que "os lutadores do povo estão de luto", referindo-se à morte do sem-terra Elton Brum da Silva durante desocupação da Fazenda Southall, no dia 21 de agosto. "Todos querem saber quem puxou o gatilho que matou Elton", ressaltou, queixando-se dos responsáveis pelos inquéritos policial e militar que já sabem o nome do soldado que disparou, mas só vão divulgá-lo ao final das investigações.

 

"O momento é de manifestar a indignação do povo, dizer que não concordamos com a corrupção e a impunidade e por isso saímos para a rua", afirmou o padre Rudimar Dall'Asta, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). "A Semana da Pátria é um período adequado para mostrarmos que os excluídos querem participar da realidade do País e mudá-la para melhor.

 

O Grito dos Excluídos é promovido há 15 anos no Rio Grande do Sul pelas pastorais da Igreja Católica, centrais sindicais e movimentos populares, entre outros. A manifestação durou cerca de duas horas e meia. Não houve incidentes durante os discursos e a passeata.

 

"Fica, Yeda"

 

Enquanto os participantes do Grito dos Excluídos discursavam e cantavam diante do Palácio Piratini, um grupo de cerca de 70 militantes da Juventude do PSDB, Mulheres do PSDB e Tucanos na Educação exibiu suas faixas de apoio à governadora Yeda Crusius (PSDB) na esplanada da Assembleia Legislativa, a menos de 30 metros de distância.

 

"Estamos aqui para fazer o contraponto e a defesa do governo", ressaltou um dos líderes da manifestação, Daniel Ludwig, da Juventude do PSDB. Os participantes não fizeram discursos, mas mostraram faixas e cartazes com dizeres como "Fica, Yeda" e "Enquanto eles atacam Yeda faz o Rio Grande crescer". Foi a segunda vez que os tucanos se mobilizaram para defender Yeda ao mesmo tempo e ao lado dos manifestantes que pedem o afastamento da governadora. Segundo Ludwig, os militantes do partido estão dispostos a voltar ao local sempre que os movimentos contrários marcarem protestos diante do Palácio Piratini.

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