'Grito dos excluídos' espera levar 10 mil às ruas em São Paulo

Na capital paulista, os movimentos sociais que organizam o ato vão concentrar as palavras de ordem em três pontos: a defesa do mandato da presidente Dilma, saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e mudanças na política econômica do governo

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2015 | 20h38

São Paulo - O Grito dos Excluídos chega na próxima segunda-feira, dia sete de setembro, à sua 21ª edição com manifestações em pelo menos 25 dos 27 Estados brasileiros. As maiores concentrações devem acontecer em Aparecida e São Paulo, onde são esperadas cerca de 10 mil pessoas. Na capital paulista, os movimentos sociais que organizam o ato vão concentrar as palavras de ordem em três pontos: a defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e mudanças na política econômica do governo. 

Manifesto divulgado por grupos como Movimento dos Sem Terra (MST), Central de Movimentos populares (CMP), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Frente de Luta pela Moradia (FLM) pede expressamente o "Fora Cunha". 

"Gritamos 'Fora Cunha', que teve uma das campanhas mais caras de 2014, financiada por vários setores empresariais, e agora envolvido na operação Lava Jato. O deputado foi denunciado pela Procuradoria Geral de República por lavagem de dinheiro e corrupção passiva", diz o texto.

Embora também diga explicitamente que "não vai ter golpe", o documento pede mudanças urgentes na política econômica do governo justamente no momento em que o governo teve que vir a público negar a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Gritamos por outra política econômica, não aceitamos que o ajuste fiscal penalize a classe trabalhadora, com perda de direitos e diminuição de recursos dos programas sociais e de distribuição de renda. Os ricos que paguem a conta", diz o manifesto.

Segundo Ari Alberti, da coordenação nacional do Grito, as manifestações tem como tema unitário apenas a "defesa da vida" e os organizadores de cada ato possuem liberdade para definir a própria pauta. Alberti, no entanto, concorda com o "não vai ter golpe". 

"Dilma foi eleita, queiramos nós ou não. Qual o motivo para o impeachment? A gente não está vendo as motivações. Se tiver motivos que se esclareça para a sociedade porque esta é uma decisão muito séria e no final, como sempre, quem paga o preço é a população", afirmou.

Em São Paulo, o Grito dos Excluídos vai sair da Avenida Paulista de onde segue, em marcha, até o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. No ano passado o ato reuniu 8 mil pessoas. Esta ano a expectativa é aumentar o público, segundo Raimundo Bonfim, da CMP. 

A defesa enfática do mandato de Dilma afastou alguns grupos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST. "O Grito não é uma data prioritária em nosso calendário. Preferimos manter a independência e autonomia em relação a qualquer governo", disse Guilherme Boulos, da coordenação do MTST. 

Criado em 1994, o Grito dos Excluídos é organizado pela Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e movimentos sociais.

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