Grevistas ocupam Fórum João Mendes

Oitenta servidores do Judiciário invadiram na quarta-feira o saguão do prédio em protesto à decisão do TJ-SP de descontar os dias parados

Fausto Macedo/SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h21

Sem água e sem comida, 80 servidores em greve do Judiciário ocupam o saguão de mármore do Fórum Cível João Mendes, em São Paulo, desde a tarde de quarta-feira. A invasão se deu em protesto contra decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado que, por 19 votos a 5, impôs o corte da folha salarial sobre parte dos dias parados.

 

O movimento foi deflagrado há 45 dias. Os funcionários reivindicam um reajuste de 20,16%. O João Mendes, plantado no coração da metrópole, é o maior fórum do País. Por seus andares, que abrigam 70 varas civis, de família, falências, infância e registros públicos, trabalham 2.600 funcionários e circulam 23 mil pessoas todos os dias.

 

Tudo está parado no fórum. Diante do caos, a presidência do TJ ordenou a suspensão dos prazos de todas as ações do João Mendes - 2,5 milhões de feitos. E proibiu a entrega de alimentos para os manifestantes, vigiados por um pelotão de 12 policiais militares. Aos invasores é permitido apenas ir ao banheiro.

 

Valdemar Cesário de Sena, 48 anos e três filhos, oficial de Justiça do Fórum de Itaquera, é um dos ocupantes. "O tribunal não impede a gente de sair, mas nos deixou incomunicáveis. Nossos celulares estão descarregados."

 

Advogados protestam contra a falta de expediente. Muitos deles vieram de longe, ontem, para audiências marcadas há meses. Em vez do juiz, encontraram portas fechadas. "Eles (grevistas) não querem nada, não me dão uma oferta. Para mim não, para o Órgão Especial", disse o presidente do TJ, desembargador Antonio Carlos Vianna Santos.

 

Adesão. O movimento, que não atingia 20% dos 45 mil servidores no Estado, ganhou força com a tomada do João Mendes. Em muitas comarcas adesão foi imediata. O TJ diz que não há como estimar quantos estão parados. Questionado se a corte vai pagar o que os servidores pedem, Vianna Santos sugeriu: "Fale com o secretário Marrey, ele é o homem político que cuida disso."

 

Luiz Antonio Marrey, secretário-chefe da Casa Civil, devolveu. "Essa matéria é uma relação entre os servidores e o Poder Judiciário. O governo não tem nada a interferir nessa questão." Ele destacou que o governador Alberto Goldman (PSDB) sancionou plano de cargos e carreira do Judiciário. "Muitas greves este ano têm sido políticas. Greves desarrazoadas que se tornam violentas como essa absurda ocupação da reitoria da USP têm uma lógica contrária ao regime democrático, é a lógica de grupos de visão autoritária."

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