Greve não prejudica serviços de saúde, diz Padilha

Ministro da Saude afirmou que Anvisa está mantendo 70% de seu efetivo

ANTONIO PITA E HELOISA ARUTH STURM, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 20h49

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou na tarde desta quinta-feira, 23, que o desabastecimento de insumos e medicamentos registrados em algumas unidades de saúde do País não tem qualquer relação com a greve de funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já dura quase 40 dias. "Construímos um fluxo prioritário para os medicamentos, insumos hospitalares e produtos de interesse de saúde pública. Para esses produtos, o ritmo de liberação das cargas tem se mantido no mesmo ritmo de antes da greve".

Entidades ligadas a serviços de saúde afirmam que produtos essenciais estariam sendo retidos em portos e aeroportos e não conseguiam liberação em decorrência da paralisação. O ministro afirmou que a Anvisa está mantendo 70% de seu efetivo, e que foram adotadas medidas de contingência, tais como a mudança de procedimentos internos, a celebração de convênios com órgãos estaduais de vigilância sanitária e o monitoramento diário de informações.

Padilha disse que os casos de atraso e desabastecimento que chegaram ao conhecimento do Ministério decorreram de fatores alheios à greve. "É inadmissível que qualquer pessoa física ou jurídica venha alegar qualquer tipo de retenção de cargas na Anvisa quando não cumpre os seus contratos, os seus compromissos de fornecimento de medicamentos."

Apesar dos argumentos apresentados pelo ministro, auditores e técnicos da Receita Federal afirmam que há mercadorias paradas nos portos em função da paralisação da categoria. Semanalmente, analistas e auditores tributários suspendem as atividades administrativas e fazem operações padrão nos portos e aeroportos. Somente cargas vivas, alimentos perecíveis e remédios estão sendo liberados nas aduanas, segundo o sindicato.

"Fazemos paralisações de terça a quinta-feira. Nos demais dias, mesmo que quiséssemos não temos estrutura logística para a liberação de todos os produtos. Muitas cargas estão nos armazéns", afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Sindfisco) no Rio, João Abreu.

Além dos servidores da Receita, funcionários dos hospitais federais e médicos também realizaram um protesto na manhã desta quinta, com uma passeata pela Avenida Brasil. Uma pista da avenida ficou bloqueada por cerca de 2h, causando lentidão no trânsito. Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal também realizaram paralisações, reduzindo o efetivo para emissão de passaportes e documentos, e no atendimento a acidentes e fiscalização das estradas federais.

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