Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Greve mostra que País precisa de plano de ação para o futuro, diz Meirelles

Ex-ministro da Fazenda alertou para a necessidade de diversificar a infraestrutura de transportes, com investimentos em ferrovias

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 15h25

SÃO PAULO - A paralisação dos caminhoneiros e os prejuízos que ela causou à economia e à população como um todo mostram que o País precisa de um plano de ação para os próximos anos que leve a economia a uma menor dependência do modal rodoviário para o transporte, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato à Presidência da República pelo MDB, Henrique Meirelles.

+ Em vídeo de pré-campanha, Meirelles destaca resultados da era Lula sem citar petista

"Em primeiro lugar, nós não precisamos ter uma dependência tão grande de rodovias, de caminhoneiros e, principalmente, das empresas transportadoras", disse o ex-ministro. Para isso, continuou, é preciso diversificar os transportes em ferrovias que garantam o abastecimento, em transporte fluvial e também com transporte de cabotagem.

"É muito importante que nós reforcemos a estrutura de transportes no País. Para isso é necessário investimento em infraestrutura, onde o Brasil conta com a vantagem de haver uma demanda firme para isso.

+ Temer escala advogado, marqueteiro e aliado para ajudar Meirelles na campanha

Segundo Meirelles, se de um lado há demanda por infraestrutura no Brasil, por outro há uma oferta criada pela grande disponibilidade de capitais internacionais que estão dispostos a investir no Brasil "desde que haja um governo que gere confiança de que as regras serão mantidas nos próximos anos".

Para Meirelles, a confiança é um vetor fundamental porque é o que permite ao investidor fazer a programação de seu retorno ao longo do prazo da concessão. De acordo com o pré-candidato, é importante que se olhe o que está acontecendo agora no Brasil por uma perspectiva estrutural de longo prazo. "Existem momentos em que o petróleo cai. Em momentos em que o preço está subindo, como agora, há impressão que o preço do petróleo sobe sempre", ponderou.

+ Imagem desgastada e carência de liderança afetam chances do MDB, dizem analistas

Fundo de Estabilização

O ex-ministro defendeu a criação de um fundo de estabilização que, em momentos em que o preço do petróleo caia substancialmente, faça uma arrecadação de tributos que capitalize esse fundo como os fundos soberanos de alguns países que têm grande dependência de commodities.

O fundo seria usado, de acordo com Meirelles, para amortizar os efeitos decorrentes de elevações muito rápidas dos preços das commodities. "Existem mecanismos, sim, que podem ser usados dentro desse processo", disse ministro.

+ Henrique Meirelles é aposta de risco do MDB, aponta cientista político

De acordo com ele, a cobrança de tributos para o fundo de estabilização não significa, necessariamente, aumento de impostos. Isso porque a cobrança teria de tributos seria conjugada com as reformas estruturais que levarão à queda das despesas públicas e ao alinhamento do Brasil aos demais países. "Criaríamos tributos flexíveis, de acordo com a variação dos preços do petróleo. Assim a Petrobras poderia manter a sua política de preço corretamente e manteria a sua saúde financeira", afirmou.

O Brasil, de acordo com o ex-ministro, precisa conviver com a flutuação de preços importantes e das commodities como fazem muitos outros países e como faz o próprio Pais que tem uma grande reserva internacionais de dólares para fazer frente às variações do câmbio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.