Greve dos professores completa três meses

Sem sinal de volta às aulas, a greve dos professores das universidades federais completa, nesta terça-feira, três meses. Reitora da federal do Rio Grande do Sul (UFRS), Wrana Maria Panizzi afirma que a paralisação poderia ter sido evitada pelo Ministério da Educação (MEC).No final de julho, representantes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes) foram a Brasília para alertar o governo sobre a possibilidade de uma greve prolongada, aviso que teria sido ignorado. O MEC não comentou, nesta segunda-feira, o movimento dos docentes.Com 14 conceitos ?A? em 18 cursos avaliados pelo MEC ? o melhor porcentual do País ?, a UFRS terminaria no dia 21 de dezembro a reposição das aulas atingidas pela greve de 1998, que durou 104 dias.?É difícil viver cada dia na universidade?, afirma Wrana. ?Todo dia é uma novidade que não leva a um acordo entre o governo e os sindicalistas.?Mesmo deixando claro que defende as reivindicações dos professores ? em outras palavras, não pertence ao grupo de reitores ligados ao MEC ? Wrana aponta erros de ambos os lados.Erros do governo, segundo Wrana: bloqueio do pagamento de docentes em licença médica sem avisar ninguém, e recuo do líder governista Arnaldo Madeira (PSDB-SP) no acordo que previa despesa de R$ 350 milhões em 2002 com reajustes salariais.Os principais erros do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), na visão da reitora: falta de proposta consolidada durante reunião com parlamentares, divergências internas e pouca sintonia com o Sinasef (sindicato dos servidores das escolas técnicas).A reitora gaúcha diz que mandou para a gaveta uma série de projetos por causa da greve. Ela pretendia implantar a partir de dezembro cinco novos cursos de graduação e dez de pós-graduação.O problema agora é evitar aumento no índice de evasão de alunos, que chega a 25% em períodos de normalidade. Wrana explica que a alteração do calendário atinge especialmente estudantes que trabalham ? situação de 44% dos alunos da UFRS.?Vou lutar para que não haja o cancelamento do semestre, mas essa decisão será tomada pelos conselhos superiores da universidade.?Nesta segunda-feira, nem os assessores do Ministério da Educação (MEC) explicaram as garantias de realização dos vestibulares e do segundo semestre dadas pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, neste domingo à noite, em pronunciamento pelas TVs.A secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, esteve na Casa Civil para discutir uma solução para o impasse. O teor do encontro não foi divulgado pelo ministério.À tarde, líderes do Andes foram recebidos pelo ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para cobrar o cumprimento da decisão que desbloqueou o salário de outubro.Na semana passada, o MEC recorreu sem sucesso ao STJ para não efetuar o pagamento. ?Estamos esperando um posicionamento da Justiça sobre o assunto?, disse o sindicalista Marcelo Badaró, do comando de greve. O sindicato quer, por exemplo, o afastamento do ministro Paulo Renato Souza.

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