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Greve de servidores fracassa em Brasília

O primeiro dia de greve dos servidores públicos federais foi de expediente praticamente normal na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Poucos aderiram à paralisação e os próprios grevistas admitiram que a Esplanada, por ser uma vitrine do funcionalismo público, acaba se tornando um ?problema? em momentos de greve.O coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social, Vladimir Nepomuceno, apresentou como justificativa para a baixa adesão o fato de boa parte dos funcionários do Ministério prestar serviços de forma terceirizada. ?No Ministério do Planejamento, por exemplo, 75% dos servidores são terceirizados?, disse.No Rio, o Estado com o maior número de servidores públicos federais do País, uma manifestação promovida no centro por servidores federais reuniu 500 pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar ? e 3 mil manifestantes, segundo os organizadores.O primeiro dia de greve, porém, atingiu pelo menos a metade dos cerca de 100 mil funcionários federais no Estado, segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Sintrasef). Instituições como a Biblioteca Nacional, o IBGE, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o Incra e as Universidades Federal Fluminense (UFF) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ? a maior das federais ?, entre outros, tiveram suas atividades paralisadas ou parcialmente interrompidas. A Justiça Federal não aderiu à greve no Estado.?Não queremos essa esmola de 3,5%. Isso é fascismo, cinismo e mentira?, protestava o auditor da Receita Federal Mário Rodrigues, diretor do Sintrasef, em passeata no centro. Ele quer reposição de 75,48%. As categorias dos professores e servidores de instituições de ensino entraram com fôlego na greve. ?Essa é a maior adesão da história dos professores em uma greve geral?, garantiu o presidente da Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes), Roberto Leher. Das 52 instituições de ensino superior do País, 37 estão em greve, segundo ele. Na última greve, realizada há três anos, esse número não chegou a 24.Os servidores das universidades, em greve desde 25 de julho, têm nesta quinta-feira uma audiência pública com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Eles estão parados em 41 universidades. Só hoje, professores de 30 universidades federais entraram em greve por melhores salários.Em São Paulo, 615 docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aderiram ao movimento, mas com a paralisação de um dia. A greve por tempo indeterminado será definida em assembléia na terça-feira. A presidente da Associação dos Docentes da Unifesp, Soraya Smaili, afirmou que 80% dos professores interromperam suas atividades.Embora a adesão tenha sido significativa, a greve não afetou o atendimento ao público que recorre ao Hospital São Paulo, ligado à universidade. Na Unifesp, um professor com doutorado, que trabalha sob regime de dedicação exclusiva para a universidade, ganha mensalmente R$1.000,00. Com as gratificações, o salário aumenta para R$ 2.500. Um funcionário de nível médio ganha R$ 900.A adesão no Paraná é uma das maiores. Cerca de 70% dos docentes da Universidade Federal (UFPR) estão parados, segundo a categoria. Os servidores completaram um mês de paralisação. Também os professores do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Curitiba, Cornélio Procópio, Medianeira e Pato Branco pararam as atividades hoje. As unidades de Ponta Grossa e Campo Mourão decidem nesta quinta-feira se aderem à greve.Em Minas, além dos funcionários do INSS e de órgãos como o Ibama e os Tribunais Regionais Eleitoral e do Trabalho do Estado, participaram de um movimento que parou o centro de Belo Horizonte, hoje, representantes dos 13 mil servidores administrativos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), parados desde 25 de julho.Segundo os grevistas, no INSS a paralisação atinge 24 Estados, mais o Distrito Federal. São 39 mil servidores e a greve atinge entre 80% e 90% da categoria. Já na área de Saúde, são 66 mil servidores e a adesão é de 40%.Em São Paulo, os funcionários do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), do Tribunal Regional Federal (TRF) e da Justiça Federal decidiram retornar ao trabalho nesta quinta-feira. Mas prometem nova greve na próxima semana. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud), a categoria reivindica reposição salarial e data-base; pagamento dos atrasados de 11,98% e melhores condições de trabalho.Para José Sanches, diretor do sindicato, ?a paralisação dos funcionários do Federal foi de 55% e do Eleitoral de 61%?. De acordo com ele, as cidades do interior que mais aderiram ao movimento foram Piracicaba (70% de adesão), Franca e Marília (com 100% de adesão). Apesar da paralisação parcial de seus servidores, o Fórum Cível da Justiça Federal, na Avenida Paulista, funcionou hoje com relativa normalidade.Já na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), o quadro era outro. Embora o número de manifestantes fosse pequeno, os serviços foram interrompidos. O funcionário de uma empresa de contabilidade Aldo Pereira queria apenas pegar de volta seu cartão do CPF, deixado lá na segunda-feira. ?Deveria haver algum atendimento para casos de urgência?, reclamou. A psicóloga Marília Penna, funcionária da DRT explicou que faz greve porque ganha R$ 1,2 mil por mês e está há 7 anos sem aumento.

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