Greve de policiais deixa Alagoas sem segurança

O primeiro dia de greve das Polícias Civil e Militar deixou a população totalmente sem segurança pública em Alagoas. Segundo o comando unificado de greve, a paralisação, que começou hoje, atingiu 90% da Polícia Militar e 98% dos policiais civis. Os policiais rejeitaram a proposta de reajuste salarial do governo e continuam reivindicando um piso salarial de R$ 1.200,00. A paralisação é por tempo indeterminado.O presidente do Associação dos Cabos e Soldados da PM, Wagner Simas, disse que somente a Cavalaria e o Batalhão de Polícia Especial (Bope) ainda não aderiram ao movimento. Nos demais batalhões, tanto na capital como no interior, quem estava trabalhando ficou aquartelado e quem estava de folga, ficou em casa. Simas acredita que, a partir de amanhã, o aquartelamento na PM chegue a 100%.Na Polícia Civil, apenas o Instituto Médico Legal (IML) e a bomba de gasolina estão funcionando. "Mas se o governo radicalizar, até o IML a gente fecha", afirmou Carlos Jorge, diretor do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas. Segundo ele, nas delegacias, os policiais fazem apenas a segurança interna dos prédios, mas não estão registrando ocorrência, nem fazendo diligências.As duas categorias realizaram assembléia geral conjunta hoje pela manhã no Clube dos Sargentos e Sub-Tenentes, com a participação de 4 mil policiais. Após a assembléia, que reafirmou a proposta de greve decidida ontem à noite, os policiais passaram no Clube dos Oficiais da PM, que tinham acabado de aderir ao movimento. Juntos, saíram em passeata pelas ruas da cidade, até o Palácio do Governo. A passeata passou em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros, ao Comando Geral da PM e terminou em frente ao Palácio dos Martírios, onde foi realizado um ato público.Durante a passeata, os policiais alertaram os comerciantes para que tomassem cuidado porque a cidade ficaria sem segurança. Muitas lojas fecharam as portas e alguns bancos fecharam mais cedo, com medo de assaltos. A Federação Alagoana de Futebol suspendeu os jogos da rodada de hoje pelo campeonato alagoano, alegando falta de segurança, por causa da greve dos policiais. O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Maceió, Mário Jorge Uchôa, disse que, se a situação se agravar, os postos de gasolina vão fechar a partir das 19 horas, ainda esta semana. "Não suportamos mais tantos assaltos", reclamou.Durante esta madrugada, três agências bancárias tiveram as vidraças quebradas por tiros de revólveres e metralhadoras. O comando de greve disse que não sabe de onde partiram essas ações. As lideranças do movimento disseram que são atos isolados de vandalismo. "Nossa luta é ordeira, por melhores salários", afirmou José Carlos Fernandes, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas. Segundo ele, a média salarial dos 1.300 policiais civis do Estado é de 400,00. Na PM, o salário médio de um soldado gira em torno de R$ 450,00.Além dos salários, os policiais reivindicam melhores condições de trabalho. Eles alegam que estão perdendo a luta contra os bandidos, porque trabalham sem coletes a prova de balas, com armas ultrapassadas e com viaturas sucateadas. O governador Ronaldo Lessa (PSB) continua oferecendo os mesmos porcentuais de reajuste apresentados aos policiais: 11% para Polícia Civil, 5% para oficiais da PM, 10% para sargentos até aspirantes e 20% para cabos e soldados. "É o máximo que o governo pode dar", afirmou Lessa. Para ele, a greve é política e tem interesse eleitoral. "O comando de greve está cheio de pessoas do PT, que é o partido do quanto pior melhor", afirmou Lessa.

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