Greve da PF favorece tráfico de drogas nas fronteiras

A greve da Polícia Federal praticamente liberou o tráfico de drogas nas fronteiras. A confirmação foi feita por uma escuta telefônica da Inteligência do governo, na qual criminosos foram flagrados comentando a paralisação. "Pode trazer quantas carradas (quilos de cocaína) quiser. Tá liberado", afirma um traficante de Manaus a seu interlocutor, em Pacoa, na Colômbia.O monitoramento foi feito no mês passado, mas outras conversas detectadas mostram que a greve é comentada nos aviões que invadem o espaço aéreo brasileiro com tranqüilidade. Na conversa entre os dois traficantes, o que está no Amazonas fala com calma, como se não temesse ser grampeado pela polícia. "O pessoal está dormindo", comenta o traficante brasileiro, referindo-se à greve dos policiais."Todo estoque que estava guardado está sendo tirado da Colômbia com toda força", confirma um integrante da Inteligência do governo, ressaltando que praticamente toda fronteira brasileira está aberta. "Se antes eles arrumavam todo tipo de mecanismo para nos tapear, agora não precisam mais. E o problema aumenta, já que o País pode tornar-se um corredor de cocaína colombiana", completou.A PF não tem uma projeção do volume de drogas que entrou em território brasileiro nos últimos dois meses, tempo em que dura a greve dos agentes, peritos e escrivães. Mas especialistas ressaltam que a quantidade poderá ter triplicado, já que os 30% dos policiais que fazem os plantões não estão sendo usados na repressão ao tráfico, mas apenas em operações de emergência.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.