Greve compromete calendário das universidades

O atraso no calendário das universidades federais provocado pela greve dos professores dificilmente será recuperado até 2003. As federais da Paraíba (UFPB) e de Mato Grosso (UFMT), por exemplo, só conseguiram normalizar este ano o calendário das atividades acadêmicas, alterado pela greve de 1998, que durou 104 dias."Vamos ficar pelo menos dois anos fora do calendário normal", disse o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Cícero Mauro Rodrigues. Segundo ele, as datas de férias, recessos e todos os tipos de atividades universitárias sofrerão alterações.O Ministério da Educação (MEC) sustenta que não haverá cancelamento do semestre nem qualquer tipo de entrave ao ingresso de estudantes em 2002. Mas admite que as universidades têm autonomia para decidir o calendário e a data de entrada de novos alunos."O semestre não está comprometido, está atrasado", afirmou o ministro Paulo Renato Souza, durante a assinatura de um convênio que repassará recursos para escolas do ensino médio das regiões Norte e Nordeste. "As férias estão comprometidas, não as aulas."A secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, disse que a Advocacia-Geral da União (AGU) analisa a questão para evitar cancelamentos do semestre e dos vestibulares. "Não há hipótese de o semestre ser cancelado e os alunos passarem por decreto", afirmou.Mesmo sem indicativo de fim de greve, a secretária disse esperar a volta às aulas até o final deste mês. Caso os docentes encerrem a paralisação nas próximas semanas, o segundo semestre deste ano poderia ser concluído até o final de março. "Isso evitaria uma situação de desorganização administrativa com prejuízos para a sociedade e a universidade."Na avaliação do diretor do Departamento de Política do Ensino Superior do ministério, Luiz Roberto Curi, a reposição exige, mais do que um planejamento de calendário, um compromisso de estudantes e professores."Tivemos greves mais longas e as aulas foram repostas", disse.Dos 200 dias letivos previstos no calendário universitário deste ano, os estudantes terão no máximo 127 dias. O recesso de final de ano e o feriado do próximo dia 15 reduzem ainda mais o tempo disponível. Caso a greve terminasse hoje, restariam 27 dias letivos até o final de dezembro.Na avaliação do reitor da UFPR, Carlos Roberto Antunes, dificilmente as universidades conseguirão fechar três semestres no próximo ano - o segundo de 2001, que não começou em boa parte das instituições, o primeiro e segundo de 2002. "A reposição deve ser feita com qualidade, sem atropelos." Em federais como a de Pelotas (UFPel), as aulas dos calouros só vão começar quando terminar o semestre dos alunos do último período. Os 1.424 alunos que passarem no vestibular entrarão no câmpus apenas com o encerramento do segundo semestre deste ano. "Temos um limite", afirma o vice-reitor da UFPel, Jorge Luiz Nedel. "É uma sensação nada agradável ver o retrocesso das negociações. Eu estava com expectativas de uma negociação definitiva."

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