Greve atinge 86% das unidades do INSS no Rio

A greve nacional dos servidores da Previdência Social, iniciada hoje, atingiu quase todos os postos de atendimento do INSS do Rio. Das 29 agências da capital, apenas uma, a de Jacarepaguá, na zona oeste, abriu durante todo o dia.Os outros 12 postos da zona oeste e alguns da zona norte, como o da Praça da Bandeira, funcionaram precariamente, apenas com trabalhadores contratados. Segundo o Sindicato dos Servidores da Previdência Social (Sindisprev), a paralisação atingiu 86% das unidades do INSS no Estado. A greve, por tempo indeterminado, também atingiu os funcionários federais que trabalham em postos de saúde municipais - os chamados PAMs. Dos 35 PAMs existentes na capital, cerca de 30% aderiram ao movimento, de acordo com levantamento do Sindiprev.A categoria reivindica 75,48% de reposição salarial, referente ao período de janeiro de 1995 a dezembro de 2000, além de um plano de carreira e da realização de concurso público. No Rio, a Previdência conta com 7 mil servidores e 5 mil contratados. Na próxima segunda-feira, os sindicalistas pretendem fechar a Dias da Cruz, a principal rua do Méier, na zona norte, em protesto contra o governo federal."Vamos ´argentinizar´ o movimento, ou seja, temos que seguir o exemplo do povo argentino, indo para às ruas e impedir que o governo Fernando Henrique Cardoso faça conosco o que o governo deles está fazendo contra o seu povo", afirmou o diretor do Sindisprev, Júlio César Tavares Pereira.Das 67 agências do INSS do interior do Estado, apenas as de Angra dos Reis e de Barra Mansa, no sul fluminense, não abriram. "Amanhã acreditamos que todos os servidores do Rio vão aderir ao movimento", avaliou o diretor do Sindisprev. "Não podemos aceitar os 5% de reposição da inflação que o governo nos oferece."Muitos aposentados e pensionistas foram surpreendidos pela paralisação dos trabalhadores do INSS. A professora Cândida Costa, de 60 anos, que recebe aposentadoria de R$ 400 por mês, foi uma das poucas pessoas que conseguiu ser atendida hoje na agência da Praça da Bandeira. Dos 42 funcionários do posto, apenas dois estavam trabalhando, além de cinco contratados. Apenas o atendimento de benefícios funcionou. No de arrecadação, responsável por emissão negativa de débitos e atendimento a empresas, não havia funcionários trabalhando."Estamos fazendo o possível para atender todos os clientes", afirmou Maria Alice Calazans, que teve que deixar de lado a função de gerente do posto para ajudar no atendimento ao público. O posto da Praça da Bandeira é um dos maiores do Estado com média de 650 atendimentos por dia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.