Greve adia vestibular em pelo menos 17 unidades federais

A greve dos professores federais, parados desde 22 de agosto, já adiou pelo menos 17 vestibulares. Um ofício enviado hoje aos reitores pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) deve aumentar essa conta. O presidente da entidade, o reitor Carlos Roberto Antunes, sugere às instituições a possibilidade de adiamento das provas em locais onde o clima é de insegurança. Longe de declarar apoio ao comando de greve, os dirigentes temem arcar com os prejuízos de um eventual cancelamento de exames por causa de tumultos.Nesta semana, o Ministério da Educação (MEC) ouviu a recomendação da Andifes. "O adiamento não significa o cancelamento do vestibular", afirma o diretor do Departamento de Política do Ensino Superior do MEC, Luiz Roberto Curi. "Se houver adiamento do concurso, o ingresso dos alunos não deverá ser prejudicado."A relação das universidades que decidiram condicionar a realização do vestibular ao fim da greve inclui instituições de renome como as federais de Minas Gerais (UFMG), Brasília (UnB) e Rio de Janeiro (UFRJ, UFF e Unirio). Também adiaram as provas as instituições federais de Lavras (UFLA), Juiz de Fora (UFJF), Uberlândia (UFU), Triângulo Mineiro (FMTM), Pará (UFPA), Paraíba (UFPB), Sergipe (UFSE), Rondônia (Unir), Alagoas (UFAL), Goiás (UFGO), Ceará (UFC) e Agrárias do Pará (FCAP). Na próxima semana, os conselhos universitários das federais do Espírito Santo (Ufes) e de Pernambuco (UFPE e UFRPE) avaliam a questão.Reitor da federal de Alagoas, Rogério Moura Pinheiro afirma que só 45 dias depois do encerramento da greve terá condições de fazer o concurso. Os preparativos para o vestibular nem começaram no câmpus da UFAL. "A razão deu lugar à emoção nas negociações entre o governo e os sindicalistas", reclama.O presidente do Andes, Roberto Leher, afirma que o adiamento do vestibular é parar não prejudicar os candidatos. "É uma posição de respeito ao estudante", diz. "A realização das provas deve ocorrer num clima de tranqüilidade." Quarenta e uma seções sindicais da entidade aprovaram a suspensão do concurso. A decisão, porém, compete aos reitores e conselhos universitários.Os candidatos a vagas nas universidades do sul do País devem fazer as provas nas datas estipuladas pelo edital do concurso. É o caso dos vestibulandos que vão disputar as cadeiras da federal de Santa Maria (UFSM). "Não há motivo até o momento para suspendermos o vestibular", disse o reitor Paulo Jorge Sarkis. O mesmo ocorre nas federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Pelotas (UFPel). Cerca de 13 mil candidatos disputam 1.424 vagas nos dias 8 e 9 de dezembro na UFPel. "Esperamos que tudo ocorra normalmente", diz o vice-reitor, Jorge Luiz Nedel.As federais de São Paulo (Unifesp) e São Carlos (UFSCar) também mantiveram o concurso. Na UFSCar, o vestibular está previsto para os dias 20, 21 e 22 de janeiro.Na federal mineira de Viçosa (UFV) as datas estão mantidas: 28 e 29 de dezembro. Mas o pró-reitor de Assuntos Comunitários, Luiz Cláudio Costa, avisa que se a greve não acabar em duas semanas os conselhos superiores da instituição deverão se reunir para analisar o adiamento. "Não estamos inflexíveis, a margem de dias até o vestibular é curta", alega.

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