Gregori pede que se preserve gravação

O ministro da Justiça, José Gregori solicitou nesta sexta-feira ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que obtenha e preserve a fita com a gravação da conversa entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) e três procuradores da República. Gregori argumentou na carta enviada a Brindeiro que a gravação é um "documento público e prova lícita de máximo interesse para a aplicação da Justiça". A decisão de encaminhar a Brindeiro o pedido para que obtenha a fita foi tomada nesta sexta-feira pela manhã, durante encontro entre o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, e o presidente Fernando Henrique Cardoso no Alvorada. O ministro Gregori, que está em São Paulo, participou do acerto por telefone. O documento fala sobre a reportagem veiculada pela revista IstoÉ, mas se refere à fita como "uma suposta gravação com registros de conversação eventualmente travada" entre ACM e os procuradores Luiz Francisco Souza, Guilherme Shelb e Eliana Torelly. Gregori usa como argumento de que é um documento público o fato de o encontro ter sido realizado, na última segunda-feira, na sede da Procuradoria da República no Distrito Federal e em depoimento a procuradores. O ministro citou jurisprudência do Supremo Tribunal Federal para mostrar que a gravação é "prova lícita" a ser usada pela justiça e afirmou que a gravação "haveria de constituir relevantíssima peça probatória em diversos inquéritos em tramitação na Polícia Federal" citados por ACM na fita. Ele ponderou que a gravação poderia "propiciar a instauração de novos procedimentos, inclusive aqueles de atribuição exclusiva" de Brindeiro. O procurador Luiz Francisco disse que irá aguardar o ofício de Brindeiro para se manifestar e ressaltou ainda que não podia afirmar se tinha a posse da fita. "Por enquanto não vou me manifestar sobre a gravação", disse. O procurador comentou que recebeu o mesmo pedido de uma comissão do Senado que está investigando o caso. Apesar de ser procurador-geral da República, Brindeiro não tem nenhuma posição hierárquica superior sobre Luiz Francisco. Na conversa transcrita pela revista, ACM diz que os procuradores receberam dados incompletos sobre a movimentação bancária e financeira do ex-ministro Eduardo Jorge Caldas, ataca o presidente do Senado, Jader Barbalho, o ministro do STF, Nelson Jobim, e o próprio procurador Brindeiro. Gregori finaliza a carta, pedindo "pronta adoção de medidas aptas a assegurar a obtenção e preservação de um tal registro da conversação supostamente ocorrida".

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