Gregori e general Cardoso negam divergências

Os ministros da Justiça, José Gregori, e do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, se reuniram nesta quinta-feira para tentar desfazer os rumores de que estariam divergindo sobre a necessidade de ser editada uma Medida Provisória dando poder de polícia às Forças Armadas, quando elas forem convocadas, excepcionalmente, para garantir a lei e a ordem nos Estados.Gregori, no entanto, mantém a posição de que não deva ser editada a MP e explica que ?a Constituição já é suficientemente clara, dando esse poder aos militares?.O general Cardoso, por sua vez, endossa a proposta do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, que quer uma regra mais explícita. O impasse será resolvido pelo advogado-geral da União, Gilmar Mendes.Colaboradores do presidente dão como certa a possibilidade de ele endossar a MP de Quintão.A divergência entre os dois, nesta quarta-feira, serviu para alimentar uma nova especulação de que Gregori poderia deixar o governo.No dia anterior, haviam circulado informações de que o ministro da Justiça seria designado embaixador do Brasil em Portugal.A polêmica com o Exército poderia ser a gota d?água para sua saída, já que o tom das declarações de Gregori desagradou a muitos setores do governo.Os boatos tomaram conta do Planalto nesta quarta-feira. O que o presidente menos queria, neste momento, era ter de enfrentar uma nova crise em seu governo.Mas, nesta quinta, informações que circulavam já davam conta de que Gregori e o general Cardoso se acertaram e que não haveria nenhuma substituição.O nome cotado para o lugar de Gregori foi o do ministro-chefe da secretaria-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que também negou qualquer mudança.?Não há divergência e nunca houve?, declarou o ministro Gregori, justificando que o que existe são apenas diferenças de pontos de vista.?Eu entendo que seria desnecessário uma regulamentação a mais porque a Constituição já fala que as Forças Armadas têm de garantir a lei e a ordem e que, portanto, têm de ter os meios para isso?, afirmou o ministro da Justiça.?Mas há outra corrente que acha que precisa explicar. Quando há uma diferença de pensamento, o presidente determina quem vai estudar o assunto e opinar?, prosseguiu Gregori lembrando que o presidente mandou a AGU estudar o caso e quase sempre acata a posição da advocacia.?Sou um amigo das Forças Armadas?, disse o ministro. ?Minhas relações com o Exército são muito boas.?O general Alberto Cardoso endossou as declarações de Gregori, acentuando que não há problemas entre os dois.?A proposta da MP foi apresentada pelo Ministério da Defesa, incentivado pelos comandantes das forças, que estavam preocupados com o fato de os seus homens não estarem resguardados na hora de garantir a lei e a ordem?, comentou Cardoso, que reconhece a necessidade de se editar a MP porque há casos de militares que estão respondendo a processos na Justiça desde 94 e 95, por terem efetuado prisões, quando estavam em operação.O general lembrou que eles foram acusados de terem exorbitado em suas funções por terem poder de polícia. ?Todos sabem que esse poder está implícito, mas por causa desses problemas, entendemos que é melhor deixar bem claro?, justificou Cardoso.Como a expectativa é de que o parecer da AGU seja favorável à edição da Medida Provisória, a previsão inicial era de que ela pudesse ser assinada ainda nesta sexta, quando o governo reedita a MP que trata da reestruturação da Presidência.Mas os ministros garantiram nesta quinta que não há pressa nessa publicação. ?O assunto está sendo estudado, e não há motivos para a medida ser editada de imediato?, disse o general Cardoso.?Não há nenhum problema grave a eclodir?, emendou o ministro da Justiça, ressaltando que o governo federal está se empenhando para melhorar a situação das polícias nos Estados. Mas o ministro Gregori advertiu que ?se houver greve, motim, qualquer ajuda será suspensa?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.