Gregori: demissões vão unir base governista

O ministro da Justiça, José Gregori, disse hoje que a demissão dos ministros indicados pelo PFL - Waldeck Ornélas (Previdência) e Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) - vai unir mais a base governista. "O presidente Fernando Henrique Cardoso, ao demonstrar mais pulso, tornou o governo mais unido", afirmou Gregori. Ele participou de solenidade de desativação da carceragem do 30º DP, no Tatuapé, zona leste da capital paulista. Para ele, essa "estreita unidade" será fundamental para que que FHC possa terminar as obras previstas nos próximos dois anos de mandato. "A atitude de ACM tornou mais unida e responsável a base de sustentação do governo", disse Gregori se referindo às supostas denúncias feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães ao Ministério Público. O ataque ao governo teria causado as demissões.Para Gregori, ACM surpreendeu o País ao iniciar uma "escalada de ações, sempre com a preocupação de atingir o governo direta ou indiretamente e sem dar mostras de que teria paradeiro". Segundo o ministro, o senador pefelista deu a entender, com suas atitudes, que está ressentido pela derrota nas eleições do Senado e da Câmara. "Não restava ao presidente da República tomar outra atitude depois de que ACM chegou ao ponto de industrializar seu ressentimento.Alckmin - O ato simbólico de desativação da carceragem, hoje pela manhã, foi conduzido pelo governador em exercício de São Paulo, Geraldo Alckmin. Também participaram os secretários estaduais Marco Vinicio Petrelluzzi (Segurança Pública) e Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária). Ao contrário de Gregori, Alckmin avalia que as demissões dos ministros não estão ligadas aos ataques de ACM. "Foi uma decisão do presidente em relação a cargos que são de confiança do presidente", disse Alckmin. Ele ressaltou que os ministros demitidos deveriam ter manifestado apoio ao governo federal. "Cargo de ministro é cargo de confiança e o mínimo que se espera de quem participa do governo é que apoie o governo. Acho que FHC agiu corretamente", afirmou Alckmin.Preservar fita - Gregori reafirmou que solicitou ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que obtenha e preserve a fita com a gravação da conversa entre o senador ACM e os procuradores da República. Gregori afirmou, no entanto, que a decisão de ouvir o depoimento de ACM, independente da fita, cabe à Polícia Federal. "Esse é um problema de condução de investigação, que cabe ao delegados definir como será feito", disse.

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