Grávidas com aids terão ajuda em hospitais do SUS

Grávidas que não fizeram testes de aids e sífilis no pré-natal terão, pouco antes do parto emhospitais públicos, a chance de saber se estão com estas doenças.O ministro da Saúde, Barjas Negri, assinou, nesta segunda-feira, portaria para garantir testes de HIV e sífilis em hospitais do Sistema Único de Saúde que façam mais de 500 partos por ano. Ostestes ficam prontos em 20 minutos.Em caso positivo para aids, a mãe receberá durante seis meses leite em pó para alimentar o filho, tomará hormônio para secar seu leite e coquetel de remédios para tratar a doença.O teste, a distribuição gratuita de leite e do remédio AZT fazem parte do "Projeto Nascer", criado nesta segunda por portaria, que visareduzir a menos de 5% a transmissão do HIV de mãe para filho.O tratamento de sífilis é mais simples: basta que a mãe, o pai e o recém-nascido tomem penicilina. Mas sem o tratamento, a criança poderá apresentar alterações neurológicas e cardíacas,cegueira e surdez.A sífilis também contribui para abortos e atinge cerca de 60 mil das 3 milhões de mulheres que, anualmente, dão à luz em hospitais públicos.O coordenador nacional do programa de DoençasSexualmente Transmissíveis e Aids, Paulo Teixeira, informa que há três chances de a mãe passar o vírus HIV para o filho: na gestação, no parto e na amamentação. "Quanto mais precoce for odiagnóstico e o início do tratamento, menor o risco de transmissão vertical de HIV", adverte Teixeira.Ele recomenda o uso de AZT na 14ª semana de gestação para mulheres com a doença ativa ou a partir da 28ª semana, para as soropositivas. Se a mãe começar a tomar AZT ainda na gestação, e o filho também usar este medicamento em forma de xarope nas primeiras seis semanas, o risco de contaminação é inferior a 2%, garanteTeixeira.A possibilidade de transmissão é de 10%, quando otratamento da mãe começa após o parto. O índice de contaminação do HIV é de 25% quando nada é feito.O governo estima que sejam 17 mil as gestantes com aids por ano. Atualmente, no entanto, o tratamento durante a gravidez alcança no máximo 6 mil mulheres. Segundo Teixeira, a falha ocorre por diversos motivos, desde falta de testes nasmaternidades à demora das grávidas em buscar um acompanhamento médico durante a gestação.O ministro informou que investirá R$ 17 milhões nacompra de testes, hormônios, remédios e leite em pó. Entre eles, estão 300 mil testes rápidos anti-HIV, 10.320 ampolas de hormônios para inibir a amamentação e 210 mil latas de leite empó. Com este programa, o ministro espera reduzir em 80% as novas transmissões de aids de mãe para filho, nos próximos seis meses.O Projeto Nascer prevê ainda campanhas de orientação, com distribuição de cartilhas e cartazes para as gestantes e treinamento de 4 mil profissionais de saúde.

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