Gravações revelam esquema

Empreiteiros queriam exclusividade para assumir obras

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal são a base da Operação Pacenas. As gravações revelam passo a passo esquema montado por um fechado grupo de empreiteiros para assumir com exclusividade as obras do PAC, em Cuiabá e em Várzea Grande, onde o governo Lula deve investir R$ 400 milhões no programa - montante destinado a saneamento básico e habitação.O monitoramento da PF reforça suspeitas de ligação do procurador-geral do município de Cuiabá, José Antonio Rosa, com a organização criminosa. "Quanto aos agentes públicos envolvidos, as irregularidades apontadas são relevantes, afastando a presença de mera e simples desídia funcional ou qualquer outro equívoco que tenha assolado José Antonio Rosa", assinalou o juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal de Cuiabá.Relatório da PF destaca que o procurador "ocupa uma posição especial, exercendo grande influência junto ao prefeito de Cuiabá". Wilson Santos, do PSDB, é o prefeito. Ele não é alvo do inquérito. Rosa, segundo a PF, é também "a ponte de contato com o secretário executivo do Ministério das Cidades, Rodrigo de Figueiredo, que cuida do repasse das verbas federais aos municípios".A PF destaca que Rosa mantém "estreitos contatos com os licitantes, notadamente os empresários que compõem o Consórcio Cuiabano, atendendo a seus reclames para intermediar junto a empresas sediadas em São Paulo, vencedoras de um dos lotes da concorrência pública, que estariam se recusando a ?compor? com o grupo local". Ao mandar prender o procurador de Cuiabá, o juiz Julier assinalou: "Fica evidente a utilização de seu cargo e influência junto ao processo."As interceptações indicam que Rosa "manteve reuniões com empresas de São Paulo, recebeu reclamações dos empresários cuiabanos sobre a retirada de documentos pelo Tribunal de Contas da União, fez gestão junto à comissão de licitação sobre os fatos e, mesmo após ter deixado o cargo de presidente da Sanecap, continuava a ser informado sobre o certame". A PF gravou contatos de todos os 11 alvos da Pacenas durante mais de um ano.

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