Gravações incriminam Pinheiro Landim

Uma gravação feita pela Polícia Federal, em fevereiro do ano passado, comprova que o deputado federal Pinheiro Landim (PMDB-CE), acusado de liderar um esquema de venda de habeas corpus, reunia-se no seu Estado com integrantes do poder Judiciário. Na conversa, entre o traficante Leonardo Dias Mendonça (o Léo) e seu aliado, o mecânico Antônio Carlos Ramos, o Gago, eles relatam que fizeram um contato com Landim no qual ele estava acompanhado do "pessoal que assina", referindo-se a um juíz. O deputado pediu, na semana passada, o desligamento de seu partido, o PMDB, e vai renunciar a seu novo mandato, que começa no próximo ano.A conversa entre os dois se deu dois dias antes do julgamento de um habeas corpus em favor de Léo e seu sócio, Wilson Torres. Ramos parecia preocupado com a falta de decisões, além de reclamar que estava sem dinheiro. Mas Landim, denominado de "Véi" nos diálogos, estava tranqüilo, à beira da praia, provavelmente com outra pessoa supostamente ligada ao esquema. Apesar de os traficantes falarem uma linguagem cifrada, a PF acredita que o companheiro do parlamentar era um magistrado.Enquanto Léo não entendia quem era o "Véi", Ramos falava usando código de aviação internacional, como Delta, denominação da letra D. Mais específico, ele relata que, quem estava na praia era o "delta, eco, para", ou seja, dep, uma abreviatura para deputado. Mas a boa notícia para Léo viria em seguida. "É, ele tava com o pessoal lá (...)", diz Ramos. "O pessoal que assina", continuou, citando a sigla IAM, que a Polícia Federal não conseguiu entender do que se tratava.Dois dias antes deste diálogo, Ramos havia ligado para Pinheiro Landim, o que comprova que a denominação de "Véio" era mesmo uma referência ao parlamentar. O mecânico reclama com o deputado que estava sendo pressionando, por Léo e seu sócio, sobre o julgamento de um habeas corpus que deveria ter sido decidido no dia anterior, mas não entrou em pauta. "Era pra ter sido ontem, tá? Mas tinha na mesma reunião, na mesma hora tinha outros assuntos, vários outros assuntos parecidos com esse e até piores. Então podia contaminar. E os outros foram negados", justificou Landim a Ramos. O habeas corpus foi julgadono dia 6 de março, sendo que o traficante Leonardo Dias Medonça acabou sendo beneficiado. Um dia depois, Landim conversa com Francisco Olímpio de Souza, sogro de Ramos e também elo de ligação com Léo. Ele confirma que a decisão havia sido dada, mas não entrou na internet.Para evitar sua expulsão do partido, o deputado Pinheiro Landim pediu desligamento do PMDB. Em uma carta de duas linhas e meia ao presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), o parlamentar não dá qualquer explicação, pedindo apenas os préstimos para providenciar a saída da sigla. Segundo fontes peemedebistas, Landim também deverá renunciar ao próximo mandato, já que foi reeleito deputado federal pelo Ceará. O tráfico e suas conexões

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