Gravação não deixa dúvida com relação à fala de Temer

Quem teve acesso ao áudio afirma que situação política do presidente é 'dramática'

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 17h22

BRASÍLIA - A situação política do presidente Michel Temer é considerada dramática por aliados. No Supremo Tribunal Federal (STF), quem teve acesso ao áudio da delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, diz que a gravação "não deixa dúvida" sobre a frase do presidente em relação à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo fontes do Supremo, o relator da Lava Jato na Corte quebrará o sigilo de cinco delatores da JBS nas próximas horas, incluindo o áudio que cita Temer. Na conversa com o presidente, em 7 de março, Joesley disse que estava pagando mesada a Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara, para que ambos não denunciassem um esquema de corrupção.

"Tem que manter isso, viu?", teria afirmado Temer ao empresário, numa referência à mesada, de acordo com informações divulgadas ontem pelo site do jornal O Globo.

Além disso, o deputado licenciado Rocha Loures (PMDB-PR), homem da confiança de Temer, foi flagrado recebendo mala de dinheiro de Ricardo Saud, ex-diretor da J&F, holding controladora da JBS e de outras empresas.

Antes, Joesley pedira a Temer ajuda para resolver uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE. A usina pertence ao grupo comandado por Joesley. Foi Temer quem indicou Rocha Loures para solucionar o problema.

Pelo serviço do deputado foi acertada uma propina de R$ 500 mil semanais, durante 20 anos. Rocha Loures teria dito a Saud que levaria a proposta a alguém acima dele, o que foi interpretado pelo Ministério Público como sendo uma referência a Temer.

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