Grandis: decisão tornou Dantas réu em processo criminal

A denúncia feita hoje pelo Ministério Público Federal (MPF) e acatada pelo juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, muda a situação do banqueiro e sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas. "A partir de agora, Daniel Dantas é réu em processo criminal do qual também fazem parte Humberto Braz e Hugo Chicaroni", afirmou o procurador do MPF de São Paulo, Rodrigo de Grandis. De acordo com De Grandis, eles são acusados de corrupção ativa, em razão de suposta tentativa de suborno de US$ 1 milhão ao delegado da PF Vítor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, para que o nome do banqueiro, o de sua irmã Verônica e de seu sobrinho fossem retirados do inquérito. O procurador informou que cada um dos três réus deve prestar depoimento à Justiça nos dias 5, 6 e 7 de agosto. De Grandis ainda afirmou que outras denúncias poderão ser oferecidas em breve pelo MPF contra o banqueiro pela prática de outros crimes, tais como, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. "As investigações envolvendo o senhor Daniel Dantas estão apenas no início. A decisão da conclusão deste caso é uma prerrogativa do MPF", afirmou o procurador, num contraponto às afirmações do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que as investigações já estariam quase no fim. Segundo o procurador, é o MPF que oferece denúncia à Justiça nos casos investigados pela PF. E a denúncia é a conclusão da investigação. "Temos muitas informações a apurar e o nosso trabalho deve se prolongar por um período de tempo que ainda não podemos especificar", disse de Grandis. EscutasO procurador revelou que Daniel Dantas sabia de todos os passos realizados por Humberto Braz e Chicaroni para subornar o delegado da PF. Ele citou as escutas e disse: "Chicaroni prestou depoimento à PF e confessou que teve participação no processo de corrupção ativa do delegado, a mando de Daniel Dantas", afirmou.De Grandis disse que não poderia revelar o teor dos diálogos entre Dantas e Braz por causa do segredo de Justiça. Ele destacou que pode pedir nova prisão preventiva do banqueiro, caso seja necessário para garantir a ordem pública. Porém, afirmou que, por enquanto, não há a necessidade. Junto com a denúncia enviada ao juiz da 6º Vara, o procurador solicitou abertura de inquérito policial para investigar se o advogado Wilson Mirza Abraham e Verônica Dantas também participaram de crime de corrupção ativa.

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