Grampo atribuído à Abin gera disputa no governo, diz Itagiba

Deputado se refere ao caso das maletas compradas pela Abin, pelo Exército, com identificadores de escutas

Agência Brasil

22 de setembro de 2008 | 14h01

O presidente da CPI dos Grampos na Câmara dos Deputados, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira, 22, que há uma disputa dentro do próprio governo sobre o grampo atribuído à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no telefone do gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.  Veja Também: Grampos: Entenda a crise  "O que está claro é uma disputa dentro do próprio poder. Ou seja, o próprio governo está criando uma briga entre membros do governo em função de equipamentos (rastreadores de grampos) em que um diz que tem e outro diz que a Abin não tem", afirmou durante entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional. O deputado se refere ao caso das maletas compradas pela Abin, por meio do Exército, com identificadores de escutas telefônicas. Durante depoimento à CPI, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que os equipamentos da agência podem fazer escutas, já o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República - órgão ao qual a Abin é vinculada -, general Jorge Armando Felix, informou que o aparelho não é capaz de fazer tal procedimento.  O caso do grampo surgiu por meio de denúncia veiculada na imprensa de que a Abin teria grampeado o telefone do gabinete do presidente do STF e gravado uma conversa entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), por meio de um grampo ilegal. Itagiba também disse que há uma banalização das escutas telefônicas, que eram usadas para apenas para "prisões em flagrante relacionadas ao tráfico de drogas e crimes de corrupção". "Ao invés de se investigar para obter a interceptação telefônica, que é o que a lei estabelece, começou a se fazer primeiro as interceptações para depois se investigar." A CPI das Escutas Telefônicas vai ouvir o agente aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) Francisco Ambrósio na quarta-feira (24). Ele é suspeito de ser um dos responsáveis pelo grampo que gravou a conversa de Mendes e Demóstenes Torres. No mesmo dia a CPI ouve também o general Felix.

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