Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Graça trabalha em transição de equipe na sede da estatal

Demissionária passa o dia na Petrobrás, onde há temor de demissão de terceirizados

Fernanda Nunes e Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 14h27

 

Atualizado em 5.02

Rio - No dia em que comunicou ao mercado a sua saída da presidência da Petrobrás, nesta quarta-feira, 4, Graça Foster manteve a rotina que marcou os seus 33 anos de atuação na empresa. Ela trabalhou por todo o dia, por mais de dez horas, na sede da companhia, no centro do Rio de Janeiro. Durante o expediente, assim como os demais diretores demissionários, Graça atuou pela transição na cúpula da petroleira. 

Graça se reuniu de manhã com o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, mas o assunto não foi divulgado. Membro do Conselho de Administração da Petrobrás, Coutinho aparece como uma das alternativas para a vaga deixada por Graça.

Apenas à noite a Petrobrás confirmou os nomes dos cinco diretores que renunciaram a seus cargos. São eles: Almir Guilherme Barbassa, diretor financeiro e de Relacionamento com Investidores; José Miranda Formigli, diretor de Exploração e Produção; José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento; José Alcides Santoro, diretor de Gás e Energia; e José Antônio de Figueiredo, diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais.

Mesmo os conselheiros da companhia, que se reunirão nesta sexta-feira, 6, foram informados das mudanças por meio do mesmo comunicado divulgado ao mercado financeiro. Um curto comunicado interno informou a saída de Graça e dos diretores aos empregados da estatal, depois que o assunto já era amplamente debatido na imprensa.

Convite. Funcionários de carreira acreditam em um possível convite para os cargos diante da dificuldade de encontrar um executivo de mercado disposto a assumir a empresa em crise.

O temor de uma demissão em massa dos terceirizados, que havia tomado conta da companhia nos últimos dias, com o acirramento da crise financeira e institucional, perdeu força com a saída de Graça. Até então, os terceirizados apostavam que, sem dinheiro, a Petrobrás demitiria empregados não concursados. Mas a indefinição de quem assumirá a direção trouxe a esperança de que os empregos poderão ser mantidos.

Também é incerto o futuro de Graça. Engenheira química, de 61 anos, que iniciou a carreira na estatal nos anos 1980, ela terá a escolha de se aposentar ou de permanecer na empresa, em cargo técnico. O mesmo vale para os demais diretores. / COLABOROU EULINA OLIVEIRA

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