Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Graça sabia de suspeita 1 ano antes de mandar investigar, diz executivo

Segundo integrante daempresa holandesa SBM, presidente da Petrobrásfoi informada sobredenúncias; ela nega

FÁBIO FABRINI E FÁBIO BRANDT, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2014 | 02h02

BRASÍLIA - A presidente da Petrobrás, Graça Foster, foi informada de investigação que trata de suspeitas de pagamento de propina da SBM Offshore a funcionários da estatal e de companhias de outros países cerca de um ano antes de anunciar uma auditoria sobre o caso, segundo o chefe de Governança e Conformidade da empresa holandesa, Sietze Hepkema. As declarações do executivo da SBM foram dadas durante a apuração interna da Petrobrás.

O depoimento de Herkema é o primeiro a indicar que Graça sabia das suspeitas. Até então, havia a indicação de que "diretores" da estatal brasileira tinham conhecimento prévio do caso e mesmo assim só agiram após um ano.

A auditoria interna da Petrobrás funcionou entre fevereiro e março deste ano. Ela concluiu que não houve recebimento de propina por parte dos funcionários da estatal. Os documentos da auditoria foram remetidos para órgãos de controle que mantém abertas investigações. A Polícia Federal também conduz inquérito sobre o tema.

Em 21 de fevereiro, a Petrobrás entrevistou Hepkema no Rio, como parte da investigação interna. Na ocasião, ele foi questionado sobre o porquê de a SBM nunca ter avisado a estatal sobre as investigações que abrira para apurar as denúncias de irregularidade, embora isso seja uma determinação de contratos da empresa com a estatal.

"Nós o fizemos em várias ocasiões, geralmente com o senhor Formigli. Discutido com a senhora Foster cerca de um ano atrás", respondeu o executivo, conforme transcrição do depoimento. Formigli é o diretor de Exploração e Produção da estatal, José Miranda Formigli.

A empresa holandesa sabia de operações suspeitas no Brasil desde janeiro de 2012, tendo iniciado investigações sobre o caso em maio do mesmo ano, ou seja, meses antes do declarado alerta a Foster.

Em nota, a presidente da Petrobrás disse que "nunca foi comunicada pelo senhor Hepkema ou por qualquer dirigente da SBM sobre esta investigação". Ela sustentou que apenas o diretor Formigli foi informado anteriormente, em reuniões com o CEO da empresa holandesa Bruno Chabas, ocorridas em 2012 e 2013, de que havia "possíveis pagamentos de propina em países na África", mas que não havia indicação de tal situação envolvia a estatal. "Sendo assim, não havia motivo para se fazer investigação anteriormente", disse.

A SBM também informou não ter avisado sobre "pagamentos indevidos especificamente à empresa brasileira".

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