FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Graça Foster sugere que obra de refinaria foi acelerada para eleição

Segundo áudio de reunião do Conselho, não havia razão técnica para adotar regime diferenciado em Abreu e Lima; refinaria não ficou pronta em 2010

O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2015 | 21h03


Brasília - Em reunião do Conselho de Administração da Petrobrás realizada em 14 de novembro de 2014, a então presidente da estatal, Graça Foster, afirmou que nunca houve motivos técnicos para que as obras de Abreu e Lima fossem aceleradas, “a não ser terminar a refinaria no ano de 2010”.

Em 2010, a presidente Dilma Rousseff foi candidata à Presidência e, naquela eleição, menos de 30% da obra estava pronta e a refinaria não foi concluída.

As obras de Abreu e Lima começaram em 2007, sem a conclusão dos projetos básicos, e o valor do parque industrial instalado no litoral sul de Pernambuco saltou de US$ 2,5 bilhões para US$ 18 bilhões, com uma série de aditivos contratuais. A primeira parte da refinaria, que é alvo de investigação por suspeita de desvios para pagamento de propinas, só começou a operar no fim de 2014. A previsão inicial de conclusão era 2011.

O áudio da reunião do conselho obtido pelo Estado é uma das gravações que a Petrobrás entregou à CPI da Câmara que apura corrupção na estatal.

Na reunião, um dos conselheiros insistiu em saber se a diretoria da Petrobrás poderia ter feito o Plano de Antecipação da Refinaria (PAR), que foi autorizado em 2007, quando a petroleira era presidida por José Sergio Gabrielli. Graça Foster, sucessora de Gabrielli, foi taxativa ao afirmar que não havia razões “mercadológicas e econômicas” que justificassem a manobra, que, na prática, afrouxa os mecanismos de controle de custo e o planejamento das obras.

“Tem que ter uma razão mercadológica, uma razão econômica para você poder antecipar alguma coisa (...) Não havia uma demanda para o PAR a não ser terminar a refinaria no ano de 2010”, afirmou Graça. Este trecho do áudio não consta na ata da reunião. Já em outra parte da gravação que está na ata, ela diz: “Na época, não sei quais foram as premissas que a diretoria adotou”.

A executiva disse ainda que, hoje, não permitiria que o plano de antecipação fosse colocado em prática. “Hoje, não poderia ter feito (a antecipação) porque você não pode começar um projeto sem ter concluído o projeto básico. (...) Tem uma sequência de eventos que não pode deixar de cumprir. Tem que olhar tudo para subir para a diretoria. Este é o ponto”, afirmou a ex-presidente no áudio. Este trecho também foi incluído na ata da reunião do conselho.

O Estado não conseguiu localizar nem Gabrielli nem Graça Foster. A Petrobrás informou que não comentaria “informações supostamente oriundas de vazamentos ilegais”.

As gravações, assim como as atas, são consideradas sigilosas pela estatal. / DANIEL CARVALHO, ANDREZA MATAIS, ERICH DECAT, FÁBIO FABRINI, ISADORA PERON, LORENA RODRIGUES E LUCI RIBEIRO

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