Graça Foster nega ter recebido denúncias por e-mail ou pessoalmente

Graça Foster nega ter recebido denúncias por e-mail ou pessoalmente

Presidente da Petrobrás afirma que relatos da ex-gerente não configuravam denúncia e que mudança para Cingapura foi feita a pedido

Fernanda Nunes, Vinícius Neder e Clarissa Thomé , O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 21h40


RIO - A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou ontem que a ex-gerente executiva da Diretoria de Abastecimento Venina Velosa da Fonseca nunca fez uma denúncia formal à companhia sobre irregularidades na estatal nem mencionou a palavra “corrupção” em qualquer comunicado aos dirigentes da empresa. Após ser afastada do cargo de diretora-geral da subsidiária da Petrobrás em Cingapura, em novembro, Venina fez declarações de que teria alertado a diretoria da companhia sobre suspeitas de irregularidades desde 2008.

Um dia após dizer em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que tratou pessoalmente das suspeitas com Graça ainda quando esta era diretora de Energia e Gás, a ex-gerente afirmou ao Estado que alertou a diretoria da Petrobrás em 2009 sobre a inviabilidade econômica da construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. A obra foi orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões e chegou a US$ 18,5 bilhões. Venina ainda acusou a presidente da estatal, no cargo desde 2012, de omissão em relação às irregularidades denunciadas. Graça rebateu as acusações de Venina divulgadas no domingo em entrevista exibida ontem à noite pelo Jornal Nacional, também da Globo. 

Segundo Graça, a funcionária nunca foi clara em suas mensagens e nunca citou palavras como “corrupção” ou “conluio”. “Tem um e-mail, de outubro de 2011, um e-mail longo, bastante emocionado, que, em quatro linhas, ela faz alguns comentários que me pareceram bastante cifrados, quando ela fala em licitações ineficientes e projetos esquartejados e tal. Em nenhum momento, ela fala de corrupção, fraude, conluio, cartel. São palavras muito simples de serem entendidas”, afirmou a presidente da Petrobrás.

Graça negou que denúncias feitas por Venina tenham sido discutidas em reuniões de diretoria. “Ela não fez uma denúncia. Aquele e-mail não foi uma denúncia”, ressaltou. 

Além disso, Venina teria deixado de tratar das suspeitas de irregularidades em conversa com Graça, logo após a chegada da executiva à presidência da estatal. De acordo com Graça, Venina pediu uma conversa, mas tratou de outros assuntos. 

“Conversamos sobre vários desafios. Nenhuma denúncia. Falamos muito sobre custos de projetos mais altos do que os previstos, prazos de projetos muito mais longos do que o previsto e das atitudes que eu precisava tomar para que a gente pudesse ir para outro caminho”, afirmou Graça ao Jornal Nacional. 

Cingapura. A presidente da Petrobrás e a ex-gerente também divergem quando falam sobre a transferência de Venina para Cingapura, que teria sido uma represália pela série de denúncias, segundo a funcionária. 

De acordo com Graça, a primeira ida de Venina a Cingapura, em 2010, foi para fazer um curso de pós-graduação. Na volta ao Brasil, ela trabalhou um tempo no Rio e, dois meses após Graça chegar ao comando da Petrobrás, teria pedido para retornar ao país asiático, em substituição ao diretor-geral da subsidiária, que deixara o cargo. 

“Ela voltaria como presidente, diretora-geral, o cargo máximo, a número 1. Cingapura é lugar de primeiro mundo, supermoderna, superorganizada. E ela foi com salário muito bom”, disse Graça. 

Segundo a presidente da Petrobrás, Venina é uma boa funcionária, mas foi afastada de seu cargo porque uma comissão interna identificou “algum nível de não conformidade” em procedimentos internos. “Não falo de irregularidade. São não conformidades de procedimento”, disse Graça. 

Ligações. Ao tratar da ida da funcionária para a subsidiária de Cingapura, Graça citou a ligação de Venina com o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, principal delator da Operação Lava Jato. 

“Nesse momento, os dois romperam a relação profissional deles, brigaram de fato. Ficava patente isso. Eu não sei por quê. A Venina era uma pessoa que, como eu disse, trabalhou por anos e anos e anos com Paulo Roberto. E o Paulo Roberto admirava a Venina, elogiava a Venina”, disse Graça. 

Procurado pelo Estado após a entrevista de Graça ser exibida, o advogado de Venina, Ubiratan Mattos, não foi localizado. À TV Globo, a ex-gerente reconheceu que nunca usou a palavra “corrupção” nas mensagens escritas, mas reafirmou que fez alertas a Graça sobre a existência de irregularidades na área de comunicação e nos processos de licitação. 

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