Graça diz que esquema de corrupção se formou fora da Petrobrás

Ex-presidente da estatal presta depoimento na CPI instalada na Câmara para investigar denúncias envolvendo a empresa

Bernardo Caram, Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2015 | 11h51

BRASÍLIA - A ex-presidente da Petrobrás Graça Foster afirmou nesta quinta-feira, 26, que a corrupção que envolve a estatal teve origem fora da companhia. "O esquema de corrupção, pelos dados que tenho, se formou fora da Petrobrás", disse.


A executiva ressaltou que a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) ajudou a gestão da Petrobrás. Ela defendeu ainda o modelo de administração e governança da estatal. "A gestão interna da Petrobrás é suficientemente boa, tanto é que tem passado pelos auditores."


Sobre licitações, Graça disse que nunca presenciou nenhum tipo de irregularidade. "Como diretora, eu jamais soube quem seria o vencedor de uma licitação até a hora que os envelopes eram abertos", disse.


Com relação à formação de cartéis, Graça disse que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está avaliando se eles de fato existem. "Temos excelentes empresas que hoje a Petrobrás não pode contratar, porque estão sendo acusadas de fazerem parte de um cartel", afirmou. 

Ela afirmou também que o principal problema da refinaria de Abreu e Lima foi uma sucessão de mudanças no projeto. Segundo ela, a falta de um projeto básico gerou aditivos e mais aditivos. "Esse é um problema", avaliou.

Sobre o projeto do gasoduto Gasene, Graça afirmou que continua orgulhosa, mas envergonhada por causa do pagamento de propinas, revelado pelo ex-gerente de serviços da Petrobrás Pedro Barusco. "Gostaria que isso tudo fosse mentira e que não houvesse propina alguma", disse.

Segundo ela, o projeto do gasoduto foi finalizado com custo 20% acima do previsto. "Considero a média 20% adequada", disse, ressaltando que não houve prejuízo no empreendimento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.