Graça admite que foi informada de propina a funcionário da estatal

Presidente da Petrobrás afirma que, em maio, SBM Offshore relatoupagamento de 'comissão' a integrante da empresa

RIO , O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2014 | 02h05

A Petrobrás admitiu ontem, pela primeira vez, que "empregados ou ex-empregados" da estatal receberam propina da empresa holandesa SBM Offshore, responsável pelo aluguel de embarcações para a petroleira.

Segundo a presidente da estatal, Graça Foster, desde maio a companhia foi informada pela empresa holandesa do pagamento de propina. A executiva afirmou que "imediatamente" suspendeu a participação da fornecedora em licitações.

A nova versão contraria os resultados da primeira auditoria interna sobre o tema, feita entre fevereiro e março. Representantes da estatal chegaram a viajar à Holanda e aos Estados Unidos em busca de informações, sem sucesso. Na época, a petroleira informou que não havia encontrado indícios de irregularidade nos contratos de aluguel de plataformas com a empresa.

"Passadas algumas semanas, alguns meses, eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobrás", disse Graça Foster, em coletiva de imprensa na manhã dessa segunda-feira, 17. A executiva teria recebido um comunicado e também uma ligação de representantes da SBM informando sobre o pagamento de "comissões".

Os funcionários envolvidos e os valores pagos não foram informados. O caso foi citado pela executiva como exemplo de "informação avassaladora" que atestaria a necessidade de sanção à empresa envolvida mesmo antes de concluídas as investigações oficiais sobre as denúncias.

Desde a revelação, em maio, a SBM não participa de licitações da estatal. "Não vamos interromper os contratos com ela e nem com outras empreiteiras que trabalham conosco até que tenhamos informações tão avassaladoras a ponto de encerrar contratos", disse Graça. "Ela (SBM) oficializou para nós que corrompeu empregados da Petrobrás, então não tem menor chance de continuar trabalhando conosco até que tudo esteja esclarecido."

Atualmente, a companhia possui oito contratos de afretamento de embarcações com a empresa holandesa com valores que ultrapassam os US$ 20 bilhões. O diretor de Exploração e Produção, José Formigli, defendeu que, se comprovadas as denúncias, os contratos poderiam ser "corrigidos". "Em eventuais revisões de contratos onde sejam identificadas práticas inadequadas, vão ser corrigidos, mas a priori não rompidos", disse.

Nessa segunda, o diretor de Engenharia e Serviços, José Figueiredo, explicou que a suspensão da empresa holandesa nas licitações da Petrobrás podem durar entre seis meses e dois anos. "Toda vez que o jurídico nos comunica, abrimos uma comissão especial para analisar. Os contratos em andamento continuam, mas relações futuras vão depender das investigações", disse Figueiredo.

Na semana passada, a SBM firmou acordo com o Ministério Público holandês para pagamento de US$ 240 milhões em multas e ressarcimento. A empresa informou às autoridades que pagou "comissões" via empresas de consultoria a "agentes públicos" para garantir contratos e informações privilegiadas sobre a estatal.

Na denúncia, um ex-funcionário da SBM afirmou que a empresa tinha contato e ligações com um "chefe de engenharia" identificado apenas como Figueiredo. Ele teria intermediado os contratos juntamente com o representante comercial da empresa no Brasil, Júlio Faerman, que nega as acusações. / ANTONIO PITA, FERNANDA NUNES e MARIANA DURÃO

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