Governo vai usar ´rolo compressor´ na CPI do Apagão Aéreo

O governo vai usar o rolo compressor na CPI do Apagão Aéreo da Câmara para tentar limitar as investigações e não deixar que elas cheguem à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Dos 24 deputados titulares da CPI, 16 serão da base aliada ao governo. A oposição contará apenas com oito deputados, sem força para aprovar requerimentos de convocação e aprofundar as investigações. A estratégia para controlar a CPI, que será instalada na próxima quinta-feira, 3, foi traçada em reunião dos líderes dos partidos aliados com o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), nesta quinta-feira, 26. "Não existe rolo compressor. Mas o objeto da CPI não podem ser as luzes e o palanque para as próximas eleições. A investigação na Infraero vai depender dos membros da comissão", afirmou José Múcio. "Infraero não tem nada a ver com crise do controle aéreo", disse o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ). "A CPI proposta é para investigar trafego aéreo e não contratos de obras em aeroportos", completou o líder do PR, Luciano Castro (RR). As indicações para a CPI do Apagão Aéreo vão ser feitas até a próxima quarta-feira, dia 2. Por enquanto, apenas os partidos de oposição tinham indicado formalmente os integrantes. Pelo regimento interno da Câmara, o comando da CPI fica nas mãos dos dois maiores partidos da Casa: ao PMDB cabe a presidência e ao PT, a relatoria. PMDB com cargos mais importantesO líder Luiz Sérgio admitiu, no entanto, que o partido poderá abrir mão da relatoria da CPI para o PMDB. "Caso o PMDB esteja disposto a ficar com a relatoria, não encontrará nenhuma resistência junto ao PT", afirmou o petista. Esta seria uma forma de compensar o PMDB pela demora no preenchimento dos cargos de segundo escalão do governo. "Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, os maiores partidos não abriram mão da presidência e da relatoria das comissões de inquérito. Nós vamos copiá-los", disse o líder José Múcio. Segundo ele, ninguém da oposição procurou os governistas para tentar um acordo em torno do comando da CPI na Câmara. Uma das hipóteses era que o PSDB, autor do requerimento de criação da comissão de inquérito, ficasse com a presidência da CPI e, em troca, abortasse a instalação da comissão sobre o mesmo tema no Senado. "Não fomos instados a nenhum entendimento nesse sentido", afirmou José Múcio. SuperfaturamentoApesar do esforço do governo para restringir as investigações da CPI do Apagão Aéreo, o deputado Carlito Mers (PT-SC) admitiu que pode ter havido superfaturamento nas obras realizadas pela Infraero em 67 aeroportos. "Temos um problema sério de licitação e as empreiteiras têm poder muito grande, amarram tudo entre elas", observou o petista, que foi relator da Comissão Mista de Orçamento em 2006. "O PFL diz que teve obra superfaturada na Infraero. Tem sempre um consórcio grande de empreiteiras operando e, se tiver superfaturamento, pau neles. Fui relator do Orçamento, sei como isto funciona. E se tiver petista envolvido nisso, pau nele também", afirmou Mers.Para o ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB-SP), a CPI do Apagão Aéreo terá de investigar a Infraero. "É inevitável porque a pista do aeroporto de Congonhas foi um grande fator do apagão. A Infraero precisa nos dizer o motivo pelo qual não fizeram a pista e reformaram o aeroporto, construíram shopping e cinema", disse o tucano. Escolhido para integrar a CPI, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) observou que o principal desafio da nova comissão de inquérito é "não se perder em brigas". "Estamos todos com muita gana. Gana de trabalhar, e não de pegar o governo", disse Fruet, que participou das CPIs dos Correios e dos Sanguessugas.

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