Governo vai sugerir, não impor, cotas para negros

O governo pretende traçar um modelo de cotas para negros, a fim de orientar as instituições de ensino superior que desejem adotar o sistema. "Nosso papel é estimular para que a política aconteça da melhor forma possível", disse a ministra da Secretaria Especial para a Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Apesar de aprofundar a discussão sobre cotas, o governo não tornará o sistema obrigatório. "Não vamos usar a força da lei, mas a do convencimento".Após assinar, no Ministério da Educação, um convênio para ampliar os cursos destinados a preparar afro-descendentes e indígenas para o vestibular, a ministra informou que o governo sistematizará as experiências de cotas e debaterá critérios para "sugerir como possibilidade de implementação". Hoje, as cotas já foram adotadas pela Universidade de Brasília, única federal, e as estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia. Para o ministro da Educação, Cristovam Buarque, o Brasil precisa de uma mudança mais radical do que as cotas. "Mas não vamos mudar sem fazer as cotas", admitiu. Buarque ainda defendeu vaga automática nas universidades para os indígenas. Segundo ele, o número é tão reduzido que não causaria grande pressão nas universidades.

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