Governo vai rever, com cautela, sigilo dos documentos da ditadura

O ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, anunciou que o governo federal vai reexaminar o decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que mantém sob sigilo os documentos relativos ao período de repressão política movida pelos governos militares contra a oposição. O ministro fez, porém, a ressalva de que o reexame será feito dentro de parâmetros definidos pelo presidente Lula: "Com a cautela de não provocar ressentimentos nem crises políticas nem militares." Segundo Nilmário Miranda, o País não precisa passar por nada disso: "Nós podemos avançar de forma tranqüila e serena. Há uma disposição de discutir o decreto, protegendo o sigilo de Estado, mas também avançando no resgate histórico daquele período", afirmou. O ministro deu entrevista após lançar, na Câmara dos Deputados, um programa de proteção a defensores de direitos humanos.OABPara o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, a abertura dos arquivos dos órgãos de investigação do governo militar é necessária para "colocar a história a limpo" e para se ter certeza sobre o que ocorreu naquela época. De acordo com ele, o caso deveria ser reaberto até por razões didáticas com o objetivo de que novos erros não sejam cometidos."O caso Vladimir Herzog é o mais emblemático da quebra dos direitos civis naquela época", observou. "É por isso que eu acho que nós deveríamos prosseguir nessas investigações e verificar, exatamente, o que existiu e o que existe ainda não revelado para a população brasileira", acrescentou. Para o presidente da OAB, há outros documentos ainda não divulgados. "É preciso ter tranqüilidade, serenidade, porque não há tabu nisso, não há revanchismo nisso. O que se precisa é colocar a história a limpo neste País", disse o presidente da OAB.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.