Governo vai multiplicar verba de centrais sindicais

De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho.

Carlos Marchi, do Estadão,

18 de julho de 2007 | 21h06

As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País, informa o Estado na edição desta quinta-feira, 19.   De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais.   O Estado traz com exclusividade projeções feitas por consultores para as grandes centrais sindicais e a CUT aparece como a maior beneficiada. Projeto já recebeu aprovação de todas as centrais e do governo.   O cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirma que a novidade reforça o espírito corporativista do sindicalismo brasileiro, já que as centrais - até aqui independentes - cairão na malha da dependência direta do Estado. "Isso já foi antecipado no último 1º de maio, quando todas elas elogiaram o governo em suas comemorações", diz.   Para Leôncio, a velha estrutura sindical implantada pelo regime varguista receberá ao mesmo tempo um estímulo e um fator de desequilíbrio: as centrais reforçarão o corporativismo e unirão sua força política a uma notável pujança financeira.

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