Governo vai decidir se aluga caças israelenses

Caberá ao Conselho de Defesa Nacional, em reunião que a Aeronáutica espera que aconteça ainda neste mês de agosto, aprovar não só a compra dos novos caças que substituirão os Mirages, que deixam de voar até 2005, como o leasing de 12 aviões israelenses Kfir C-10.A informação foi dada, nesta quinta-feira, pelo brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, comandante da Aeronáutica, ao esclarecer que, embora os recursos para o aluguel dos Kfirs - operação que envolve US$ 91 milhões, não esteja previsto no Plano de Reequipamento da Força Aérea, aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a FAB precisa desses aviões para substituir os Mirages por um período de, pelo menos, quatro anos, até que os primeiros novos caças, a serem encomendados, cheguem ao Brasil."Não se trata de substituição de uma coisa pela outra, e nós não faríamos isso, de forma alguma", declarou o brigadeiro, ao esclarecer que, se por acaso não houver meios de ter as duas coisas, paciência. "A prioridade é a compra dos novos caças. Mas precisamos ter alternativas operacionais para o período de lacuna em que os Mirages deixam de voar, e os novos aviões não estejam ainda aqui. Isto é planejamento?, insistiu, ele, ao comentar que, se o Conselho de Defesa disser que "é para esquecer o acessório (referindo-se ao Kfir), para cuidar do principal (novos caças que estão em concorrência), aí eu vou cuidar do principal. Só ressalto que eles também são importante, mas será uma opção de governo.?O brigadeiro assegurou que não há decisão tomada, apenas uma sugestão técnica-operacional. Na semana que vem, pilotos brasileiros irão a Israel testar os Kfirs e verificar os contratos. Se forem alugados, eles estarão no Brasil em um prazo máximo de um ano. A compra dos novos caças vem se arrastando, e a decisão da concorrência, que era para ter sido anunciada no início do ano, foi, novamente, remarcada para agosto, depois de diversas rodadas de negociações.Em julho, quando o Palácio do Planalto se preparava para marcar a reunião do Conselho de Defesa, voltaram às páginas dos jornais notícias sobre problemas durante a instalação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). O presidente, querendo evitar maiores polêmicas, preferiu deixar na prateleira, aguardando o melhor momento de tratar do tema, a decisão sobre os caças - cujo projeto de licitação foi submetido a processo semelhante ao do Sivam.O relatório da FAB já está concluído, nas mãos do Comandante da Aeronáutica, e aguarda apenas a marcação da data da reunião do Conselho de Defesa, que será convocado por decisão política do presidente Fernando Henrique, que quer dividir responsabilidade com o Congresso, no caso.O Conselho é integrado também pelos presidentes da Câmara e do Senado, além de diversos ministros de Estado. A nova movimentação da Aeronáutica em busca da compra de aviões para serem operados em um período de transição começa a trazer novos problemas para a concorrência dos novos caças. Na própria FAB há divergências entre os brigadeiros sobre a eficácia dos aviões Kfir, que se pretende sejam alugados por cinco anos. Há quem ache que essa decisão significaria "jogar dinheiro fora?.Esta tese chegou ao Palácio do Planalto, que se preparava para marcar a data da reunião do conselho e voltou a preocupar o presidente Fernando Henrique, que sabe que a compra dos caças "é uma decisão muito difícil? e lhe dará "dor de cabeça", como já revelou a interlocutores. Embora a compra dos novos caças brasileiros vá ser feita com financiamentos externos já garantidos, este se torna um assunto complicado, em tempos de crise econômica, com altas sucessivas do dólar e a equipe econômica anunciando cortes em cima de cortes, para conseguir chegar ao final do governo.A proximidade das eleições ajuda este quadro sombrio. Por isso, há quem diga que, se a compra do aviões não for decidida agora, certamente ficará para o próximo governo. Daí a preocupação do comandante da Aeronáutica, que entende que não pode ficar sem alternativa para substituir os Mirages, enquanto os novos caças não chegarem.Por isso, ele verificou algumas propostas de leasing e aquisição de aviões usados e entendeu que os israelenses são a melhor opção, pelo preço (US$ 91 milhões, segundo ele, custo semelhante ao de manutenção dos Mirages com peças de reposição), depois de estudar, inclusive, propostas de F-16 usados. O Kfir C-10, na opinião do brigadeiro, é moderno, tem o radar melhor e é mais potente, além de seus suprimentos serem comuns aos Mirages, o que vai ajudar na transição dos pilotos que precisam sair dos aviões com painéis analógicos para os digitais.Quanto à compra de 16 caças F-5 usados, da Suíça, ao preço médio de US$ 800 mil cada, o comandante da Aeronáutica disse que ela já está aprovada e prevista no plano de reequipamento da FAB, que está em andamento, não necessitando de aprovação do Conselho de Defesa, já que há um decreto autorizando a aquisição de itens de padronização da frota. Esses F-5, no entanto, avisou, irão para o lugar dos Xavantes, em Natal, para treinamento dos novos pilotos de caça.

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