Governo usa 'tropa de choque' para aprovar indicação ao Dnit

Indicação política foi feita pelo governador de MT, Blairo Maggi, de quem Pagot foi secretário

Marcelo de Moraes, do Estadão,

07 de agosto de 2007 | 21h31

O governo federal usou a força de sua tropa de choque, com auxílio de setores da oposição, nesta terça-feira, 7, para aprovar mais uma indicação política para o comando de um órgão com perfil técnico. Por 17 votos a seis, a Comissão de Infra-Estrutura do Senado aceitou que Luiz Antônio Pagot seja o futuro diretor geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).   A indicação política foi patrocinada pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, de quem Pagot foi secretário. Pagot também é filiado ao PR, mesmo partido de Maggi, que negociou a indicação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acompanhou toda a sessão dentro da comissão.   Na semana passada, Lula atendeu ao pedido do PMDB para indicar o ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde para o comando de Furnas. Essa semana, o ex-deputado federal Sérgio Gaudenzi, do PSB, foi nomeado para a presidência da Infraero. Como em quase todas as sessões feitas nas comissões do Senado para aprovar indicações para diretorias de órgãos técnicos do governo, a sabatina a Pagot foi feita de forma pouco consistente e marcada por um festival de elogios ao candidato à vaga. Apenas alguns senadores se preocuparam em pedir informações a Pagot sobre as atitudes que pretende tomar à frente do Dnit.   Pior: integrantes da base governista queriam iniciar o processo de votação quando a sabatina tinha apenas vinte minutos de duração. "Como é um procedimento comum nas comissões, gostaria de solicitar que o processe de votação possa ser iniciado enquanto as perguntas vão sendo feitas. Porque daqui a pouco pode começar a ordem do dia do Senado e teremos que suspender a votação", pediu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tentando apressar a aprovação de Pagot.   Processo acelerado   O presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), não concordou, mas cedeu que a votação começasse paralelamente depois que falassem os senadores que tinham dúvidas sobre a competência de Pagot para o cargo, como era o caso do senador Mário Couto.   Foi a senha para mais uma cena inusitada. Ao descobrirem que ainda havia vários senadores inscritos para falar antes de Couto, os senadores começaram a retirar suas inscrições para fazer perguntas a Pagot, apenas para acelerar a votação. Couto foi duro nas perguntas. Disse que era contrário à indicação por considerar que Pagot feriu a lei dos servidores públicos. Ele lembrou que Pagot trabalhou de 1995 a 2002 como secretário parlamentar no Senado ao mesmo tempo em que acumulava uma diretoria numa empresa privada, a Hermasa Navegações da Amazônia. Segundo Couto, Pagot nunca comunicou isso oficialmente ao Senado e deveria, na sua opinião, devolver os cerca de R$ 429 mil recebidos como salário no Senado.   Pagot negou que tenha cometido irregularidades e disse que fez essa comunicação à secretaria de controle interno do Senado. "Eu não tinha a obrigação de guardar documentos tão antigos, mas guardei um deles, de 1997, que mostra que comuniquei em 30 de junho desse ano à Secretaria de Controle Interno do Senado que eu acumularia funções. Onde, então, que eu neguei informações ao Senado?", reclamou.   Outro sintoma da disposição dos senadores para aprovar o nome de Pagot é que não houve qualquer constrangimento pelo fato de o relator da indicação ter sido o senador Jayme Campos (DEM-MT), que é da bancada de oposição. Pagot é justamente o primeiro suplente de Campos no Senado.

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