Governo usa 'rolo compressor' e oposição ameaça com nova CPI

Base aliada exerce maioria na comissão dos cartões e consegue rejeitar pedido de dados da Presidência

da Redação

01 de abril de 2008 | 13h35

Após o governo usar o "rolo compressor" na CPI dos Cartões nesta terça-feira, 1º, e rejeitar os pedidos de informação sobre os gastos da Presidência, a oposição ameaça com uma nova comissão de inquérito, desta vez só no Senado. O deputado Vic Pires (DEM-PA) foi quem lançou a idéia. Segundo ele, o governo "está nadando de braçada" na CPI já que possui maioria. "O DEM vai, sim, instalar a CPI no Senado, e você Álvaro (Dias, do PSDB), sei que participará também. Aí não terá esse negócio do governo nadar de braçada. Vocês do governo aprovam tudo, essa coisa de ter maioria", disse.  Veja também: CPI rejeita pedido para governo divulgar dados sigilososPSDB quer apurar vazamento de dossiê no governoGastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008CPI pede lista dos titulares que sacaram dinheiro com cartãoCPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHCDocumento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos  Por 11 votos contrários e 7 a favor, a comissão rejeitou requerimento à Casa Civil da Presidência da República de informações completas sobre os cartões corporativos expedidos desde 2002, data em que foi criado, com a identificação de todos os titulares, registro do limite mensal de crédito de cada cartão, gastos efetuados e cópias de notas fiscais.  Em quatro horas de reunião a CPI dos cartões corporativos aprovou 15 requerimentos com pedido de informações não sigilosas dos cartões usados por integrantes do governo. Três requerimentos que pediam informações da Casa Civil, da Visanet (bandeira dos cartões) e das auditorias do TCU foram rejeitados na comissão. Nesta tarde, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), presidente da CPI, pretende reunir-se com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), para pedir que ele solicite ao TCU o envio de todas as suas auditorias sobre cartões para o Senado. Os requerimentos aprovados resultaram de acordo prévio entre governo e oposição, segundo o qual seriam aprovados todos os pedidos de dados não-sigilosos de órgãos do governo sobre cartão corporativo. A base governista tinha orientação para rejeitar todos os requerimentos que pediam acesso a informações sigilosas da Presidência, o que acabou acontecendo.  A CPI encerrou seus trabalhos nesta terça por volta das 13h40. A ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, pivô do escândalo dos cartões que resultou em sua saída do ministério será convidada a comparecer à comissão nesta quinta-feira. O ministro da Pesca, Altemir Gregolin também foi chamado. "Eles foram convidados, mas ainda espero a confirmação da ex-ministra", disse a presidente da CPI, Marisa Serrando (PSDB-MS). (Com Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo)

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