Governo usa método espúrio para aprovar mínimo, diz Peres

O líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM), criticou, em discurso, o que chamou de "métodos espúrios" que estariam sendo usados pelo governo para convencer senadores a votarem a favor da medida provisória que fixou em R$ 260 o salário mínimo deste ano. Segundo Peres, o governo abordou até senadores da oposição para tentar esse convencimento. O líder pedetista reclamou do fato de governadores e prefeitos passarem o dia telefonando a senadores, fazendo "terrorismo" com a alegação de que o fluxo de investimentos federais para os Estados e municípios seria interrompido se eles não votassem a favor do governo federal. "São métodos que nunca imaginei serem adotados por um partido que veio para mudar", afirmou. Ele disse que o governo pode até vencer a batalha, hoje, no plenário, durante a votação da MP do Mínimo, mas perderá "em substância e, permanentemente, está perdendo sua identidade". O senador do PDT criticou o fato de o governo estar adotando políticas compensatórias no combate à pobreza. Afirmou que a melhor distribuição de renda que se pode fazer é por meio do salário mínimo, porque vai diretamente para o bolso, e o cidadão faz com ele o que quer. Peres disse que o governo está no dever moral de pedir desculpas aos eleitores e ao povo e dizer o seguinte: "Fui demagogo no passado e, agora no poder, vi que a realidade é outra". O líder pedetista encerrou o discurso lendo um artigo de 2002 citando um compromisso de Lula de combater a pobreza e prometendo dobrar, em quatro anos, o valor real do salário mínimo.

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