DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Governo traça estratégia para evitar falhas na comunicação e diminuir rejeição

Planalto deve definir formato de propaganda institucional e porta-voz para combater declarações desencontradas ou mal explicadas por ministros que repercutiram mal

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2016 | 12h33

BRASÍLIA - Após uma série de problemas atribuídos a falha de comunicação, o governo do presidente Michel Temer traça uma estratégia nesta área. O objetivo é diminuir a rejeição de parte da população e tentar convencer os brasileiros sobre a necessidade de alguns sacrifícios para viabilizar a retomada da economia, considerada fundamental para o sucesso de seu governo.

Na próxima semana, por exemplo, o Planalto deve definir o formato de propaganda institucional que será feito em relação aos dois projetos prioritários do governo: a PEC do teto dos gastos e a reforma da Previdência. Segundo uma fonte do Planalto, é fundamental que a população entenda as razões das medidas que o governo está adotando. Reuniões com agências de publicidades foram feitas nesta semana com a equipe de comunicação do Planalto para discutir o assunto. 

A medida faz parte de uma série de alterações na comunicação do governo após uma sucessão de erros nesta área, como declarações desencontradas ou mal explicadas por ministros. Um dos casos mais recentes foi em relação ao aumento da jornada de trabalho de oito para 12 horas. Na quarta-feira, 14, Temer usou um evento de medidas da Saúde e, em um duro discurso, afirmou que o governo não era "idiota" para retirar direito dos trabalhadores.

O governo pretende alinhar o discurso e deve começar pela propaganda. Nesse sentido, também busca um porta-voz oficial. A ideia é que um diplomata seja o responsável por responder diariamente às demandas da imprensa, repassando a opinião do governo, com sobriedade, sem qualquer juízo de valor.

Temer tabém quer usar os meios de comunicação - TV e rádio - para fazer propagandas institucionais de suas ações. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, no início do mês, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, disse defender pessoalmente que o governo vá à televisão explicar as mudanças propostas, consideradas de difícil aprovação no Congresso, como a Reforma da Previdência. "Eu até defendo que isso entre na propaganda institucional do governo, de forma clara, mostrando o governo fazendo a sua parte, conversando com sua base parlamentar e pedindo apoio à sociedade. Não há outra maneira", disse.

Além disso, já está definido que, sempre que julgar necessário, Temer vai expor pessoalmente - seja via eventos oficiais, entrevistas ou notas - a versão oficial das ações do governo. O evento de balanço do Ministério da Saúde nos quatro meses de gestão Temer, foi o primeiro em que a estratégia ficou clara. Há quem defenda no Planalto que o modelo seja repetido com outras pastas que possam promover agendas positivas. Entretanto, há interlocutores do presidente que afirmam que ele não precisa de eventos para ter espaço para dar recados e quando decidir falar, assim o fará.

Em termos gerais, o objetivo do governo com a unificação do discurso é evitar desencontros entre as falas do Planalto e dos ministros das áreas especificamente ligadas às reformas. As diferentes versões têm provocado danos e críticas a Temer e o levaram a recuar em algumas propostas que foram divulgadas precipitadamente, enquanto ainda estavam em estudo.

Defesa. Apesar de buscar a unificação do discurso, Temer cobrou publicamente que parlamentares da base aliada também usem a tribuna do Congresso para defender as ações do governo e "contestem aqueles que possam eventualmente vilipendiar os fatos." Uma fonte próxima ao presidente disse que o tom mais duro adotado por Temer em suas últimas falas é uma orientação para embasar o discurso da base governista, já que o governo precisa de apoiadores mais aguerridos.  

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