Governo trabalha para aprovar mínimo de R$ 260 no Senado

O governo ataca hoje em duas frentes para arregimentar votos favoráveis à medida provisória (MP) que fixa em R$ 260,00 o valor do salário mínimo deste ano. Pela manhã, o presidente do PT, José Genoíno, toma café com a bancada do partido no Senado para fechar questão em favor da MP. À tarde, no gabinete da Liderança do PMDB, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, se reúnem com líderes e senadores dos diversos partidos aliados e discutem uma proposta de recuperação do poder de compra do salário mínimo, para vigorar a partir do próximo ano. Estarão presentes os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), e do Orçamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ontem à noite, Marcos Lisboa e Appy tiveram uma reunião preliminar com o senador Cristovam Buarque (PT-DF), para discutir a proposta, que será apresentada como alternativa de discurso aos dissidentes dos partidos aliados e como forma de atrair os votos desses senadores. A intenção do governo é a de votar o mais rapidamente possível a MP do salário mínimo. Como enfrenta dificuldades internas, a data da votação ainda não está definida. Se o governo estiver confiante, a votação será na quinta-feira. Caso contrário, poderá ficar para a próxima semana, atrapalhando a agenda econômica em pauta no Senado. As conversas políticas devem se intensificar a partir de hoje, quando a maioria dos senadores retorna a Brasília. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, terá atuação importante, já que a aprovação da MP depende principalmente do desempenho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que controla votos considerados decisivos para garantir uma vitória do governo. Dirceu e Sarney têm uma relação de amizade e política. A expectativa do governo é de que Sarney consiga convencer, por exemplo, os integrantes de seu grupo político que votam contra o governo - sobretudo os filiados ao PFL, partido que fechou questão contra a MP do mínimo. A estratégia é de fazer com que, pelo menos, eles se ausentem da votação. O governo calcula que, com a ajuda de Sarney, teria o apoio de 36 a 37 votos. Para pôr em votação a MP, é necessária a presença em plenário de pelo menos 41 senadores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.